Ano Um revela a natureza mais primária do ser humano

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A esperança que acompanha as doze badaladas que separam o dia 31 de dezembro do dia 01 de janeiro de qualquer ano é ironia em Ano Um. Em uma noite de ano novo, um colapso é iniciado na Terra – e toma conta do planeta em pouco tempo. Uma doença aparece, a rede elétrica para de funcionar e os governos param de funcionar. Não é o ano novo ideal.

Ano Um é uma distopia para todos que amam o formato. O caos não é um resultado, mas serve como ponto de partida para que não exista mais certeza no mundo. Com a falta de clareza no planeta, a magia cresce e toma seu lugar. No livro, ela é dividida em uma parte boa e outra, inimaginavelmente, maligna. A magia é como um personagem, e pode se esconder em qualquer lugar. Mas se até mesmo antes do caos o mundo já era conturbado, Ano Um mostra como as pessoas utilizariam de suas partes boas e ruins se tivessem o poder de agir de maneira sobrenatural em diversas situações.

Em meio à uma realidade disfuncional, os personagens exercem o papel de lembrar ao leitor da humanidade em sua essência. Os viajantes Lana e Max, assim como Chuck, um gênio da tecnologia que insiste em manter o melhor humor possível em um mundo offline, e Arlys, uma jornalista que exerce seu papel profissional até mesmo no fim do mundo, são uma maneira de ancorar a história nos seres humanos, para que a distopia lembre constantemente de como a Terra funciona e das características humanas.

Os personagens estão sempre em movimento, assim como a história, com saltos de tempo às vezes longos demais. Ano Um mostra um mundo estranho feito por pessoas que deixam sua natureza mais primária aparecer em meio ao caos. Como se alguém apertasse o botão de reset no vídeo game da vida. Acompanhada por uma profecia ancestral que transforma a vida de todos os sobreviventes, o livro é curioso, instigante e desperta a questão do “o que eu faria?”.