Mas e se os Beatles realmente não existissem?

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Imaginar um mundo sem Beatles foi o desafio proposto por Richard Curtis, roteirista de Yesterday. É difícil pensar no inseto besouro na primeira página de pesquisa de beatle no Google. Mais difícil ainda é pensar nas tantas playlists que iriam desaparecer, assim como posters, camisetas e canecas. A criatividade para a história do filme é encantadora e engraçada, mas tem o mesmo efeito de um filme de ficção científica sobre buracos de minhoca e viagens no tempo: faz você pensar.

Se os Beatles realmente não existissem, seria mais do que uma amnésia coletiva, como proposto em Yesterday. Talvez quando os jovens Paul McCartney e John Lennon começaram a compor juntos, não imaginavam que estariam prestes a quebrar um paradigma em uma indústria musical que ainda engatinhava. Sem exageros e romances, o sumiço da maior banda do mundo teria um efeito colateral universal.

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Assim como em um efeito borboleta, sem a influência dos Beatles, talvez os nomes do topo dos charts de hoje seriam outros. Talvez o underground fosse o popular, e o popular, bem, quem sabe o que seria. Os Beatles não nasceram estrelas, então se sua história sumisse, não seria como perder um objeto.

O trabalho e a jornada da banda inspiraram inúmeros artistas a começarem suas carreiras, a experimentarem novos sons a partir do rock ‘n roll, a libertarem a criatividade e procurarem formas de criar não apenas música, mas a música do futuro. A música de hoje. Seja pela fama, pelo sucesso, pela forma de compor, pela criatividade de fazer tanto com tão pouca tecnologia ou pela capacidade de atrair milhares de fãs com trabalho que vai além de rostinhos bonitos, Os Beatles foram inspiração e inspiram ação até hoje.

A indústria musical é uma grande evolução, e Os Beatles marcam o início da era de reais artistas que também conseguem ganhar muito dinheiro com sua marca – tudo isso enquanto viram símbolos da cultura pop. A Beatlemania veio como consequência de ótimas canções, um bom visual e sotaques britânicos. Se não fossem os gritos do passado para ditar como um fã de um grande grupo deve se portar e sentir, os gritos para boybands como One Direction poderiam ser diferentes hoje.

Mas a constante evolução – ou ciclo, um dia saberemos – desta indústria hoje mais preocupada em montar artistas do que incentivar suas inspirações é contínua. John Lennon mesmo já havia dito “se não houvesse um Elvis, não haveria os Beatles”.

Felizmente a banda existiu, no momento certo. Afinal, será que a tal genialidade dos Beatles seria o suficiente para fazer sucesso na indústria de 2019? A resposta é dura, mas óbvia: não. Os Beatles são Os Beatles por diversos fatores, inclusive a sorte de nascer no ano certo, na cidade certa, e de trilhar caminhos específicos e aparentemente meticulosamente cuidados pelo destino. Talvez a genialidade não esteja no artista, mas na liberdade de uma indústria que queria vender, mas vender a criatividade. Talvez se os grandes – e realmente muito talentosos – nomes da indústria atual nascessem antes… mas isso é história para um outro filme.