Como Homem-Aranha: Longe de Casa se tornou o melhor filme do herói

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Cuidado com possíveis spoilers!

É justamente a diferença entre Longe de Casa e os outros filmes do Homem-Aranha que fazem desta a melhor produção do herói. Mas antes de chegar nos paralelos e comparativos com os outros filmes, Longe de Casa mostra desde o início que está oficialmente fechando a terceira fase da Marvel nos cinemas.

Após Vingadores: Ultimato – um filme que lutava para explorar a humanidade dos protagonistas em um cenário espacial com um titã roxo e pedras do infinito –, Homem-Aranha: Longe de Casa lembra a essência engraçada e genuinamente humana de seus personagens. Peter Parker nos diverte da melhor forma Homem-Aranha, enquanto amadurece.

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O luto por Tony Stark está presente em todos os detalhes, e assim como Peter Parker, nós também vemos ele em todos os lugares. A relação de Parker com Stark ainda é muito forte, e faz parte da necessidade do amadurecimento do amigo da vizinhança. Um mundo sem os Vingadores precisa do próximo Homem de Ferro, mas Peter Parker não é e nunca será Tony Stark. Afinal, ninguém nunca será – “nem mesmo Tony” conseguia viver com este fardo, afirma Happy no filme. A humanidade de Stark continua sendo seu melhor atributo, mesmo após sua morte, e ajuda Parker a pertencer.

O efeito de Stark no filme é tão forte que o vilão, Mysterio, é uma personificação do que Tony seria se usasse sua inteligência para o lado errado. Apesar de, mais uma vez, um vilão do MCU ter motivos bons o bastante para ser considerado correto (se não fosse extremo). Mysterio queria que a equipe que opera por trás das câmeras das grandes invenções utilizadas por super-heróis ganhasse o devido reconhecimento, e não há como não o apoiar quando Jake Gyllenhaal faz discursos com uma fala rápida e empolgante. A Sony ganhou o melhor do ator, sorte a nossa.

Longe de Casa é sobre os erros de Peter Parker, e sobre como o herói, e também o menino, aprende a aceita-los e a evoluir a partir deles. Tom Holland prova mais uma vez que é o melhor Homem-Aranha por abraçar a humanidade do personagem perfeitamente. Holland entende que Peter Parker não é um herói sem defeitos – e que às vezes só quer ser um adolescente normal. Ele faz com que a gente entenda isso.

Assim que Parker aprender com seus erros, os paralelos com os outros filmes do herói aparecem, e são encantadores. A personagem de Zendaya, MJ, é uma releitura de Mary Jane – só que mais legal e interessante. Ao contrário da história original, MJ não se importa com Parker porque ele é um herói. Ela também não gosta de ser carregada em uma teia pelos prédios de Nova York. Ela é, de fato, a melhor MJ possível, que combina com a melhor versão do Homem-Aranha.

Peter Parker construindo seu traje também é uma referência esperada – mas de um novo modo, sem repetir a história, e enchendo os olhos de lágrimas por ter Back in Black na trilha sonora. Parker nunca será Tony Stark, mas aprendeu e ainda aprende muito com ele. Longe de Casa é de fato o melhor filme do Homem-Aranha. Pela humanidade e pelo personagem não vencer os medos, mas fazer o que é certo apesar deles. Mas principalmente, por fazer diferente, sem olhar para trás.