A vontade de ser livre, sem regras ou preocupações. Isso e outras Coisas da Geração de Lagum

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Detestamos despedidas, e por isso não nos apegamos (a quase nada). É bem coisa da nossa geração, ao menos é o que a banda mineira Lagum indica logo na primeira música de seu segundo álbum, Coisas da Geração. Na lista de problemas dos jovens, os romances fazem a maior pontuação, seguido pela sociedade, e por um item mais importante do que os problemas em si: a gratidão e um certo deslumbre genuíno, que se encanta com a cabeça nas nuvens – e é encantador de observar também.

É tão sincero, e até divertido, ouvir o álbum e saber que os problemas causados por romances, que certamente “Vai Doer No Peito”, assumem o estereótipo de “coisas da geração” sem medo. A visão de um jovem apaixonado fica mais interessante quando ele mesmo sabe que vive um clichê. “Andar Sozinho”, parceria com Jão, assim como “Oi”, representam bem uma certa euforia dos riscos da cultura jovem. A vontade de ser livre, sem regras ou preocupações.

Mas nem só de romances vive a nossa geração. A despreocupação que parece ter saído de um filme dos anos 80 transforma a história de Lagum em roteiro de filme, com um protagonista “Grato Um Tanto”. É aqui que fica ainda mais interessante de ouvir o Coisas da Geração. É sempre legal saber de sonhos, e da gratidão por realizá-los.

Aparentemente a criatividade de Lagum também consegue ser divertida, uma “imaginação de moleque” mesmo. A ironia parece fazer parte da geração. As músicas divertidas não tentam mascarar um simples sentimento explosivo, seja por um encanto repentino pela “Lua”, pela raiva de uma discussão – que chega a ser cômica – de “É Seu”, ou com a indignação com o preço do pão de queijo de “Pedro”, que transforma uma rotina, que provavelmente já foi muito idealizada, em música (aliás, não colapse, Pedro – ainda quero ouvir muitas de suas canções).

Eu não saberia descrever o ritmo do Coisas da Geração. Nada é original e Lagum parece saber disso. Sua música é como uma mistura, um mashup de influências pessoais – e isso é ainda melhor que algo meticulosamente pensado para ser original. Lagum abraça as diferenças musicais e cria a partir de uma experimentação notável, daquelas que apenas artistas que trabalham em cada detalhe de suas canções conseguem fazer.

Talvez o comportamento que representa a geração (esse mesmo, do álbum) seja apenas uma fase e passe daqui um tempo, ou talvez já esteja enraizado na personalidade de Lagum. Alguns nasceram para ser jovens para sempre, e pelas ótimas canções do Coisas da Geração, honestamente espero que este seja o caso da banda. De qualquer forma, “Se For pra Ser” pode não ser do jeito que Lagum quiser, mas essa fase provavelmente vai durar bem mais que um dia.