A Caça é como Meninas Malvadas, só que com risco de vida

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Veja bem. Se o garoto mais popular da escola e idolatrado até pelos professores te convida a passar o feriado em sua casa, a típica resposta de filmes clichês seria um grande sim, seguido por dúvidas de que peças de roupas levar. A Caça é quase a mesma coisa. Algo como Meninas Malvadas, só que com risco de vida.

Greer MacDonald é uma nova bolsista na STAGS, um colégio interno inglês extremamente tradicional em seus costumes, aulas e até mesmo na estrutura dos prédios, que são estruturas tão antigas quanto suas tradições. O conservadorismo dos edifícios é passado para os alunos, que ignoram Greer e vivem em sua bolha de privilégios e dinheiro dos pais. E como em um dos filmes clichês de Hollywood, a protagonista recebe um convite para passar o feriado na propriedade de Henry de Warlencourt – tão elegante quanto seu nome, e também o garoto mais popular da STAGS.

A visita à casa de Henry é uma tradição na escola. Todos os anos a quase solenidade conta com os convidados de sempre, amigos populares de Henry – aliás, os únicos queridos o suficiente pelos professores, que também reconhecem sua soberania na escola –, e com pessoas novas, que aparentemente poderiam causar uma boa impressão para entrar para a equipe dos, como são chamados, medievais, e ser capaz de andar com meias coloridas sem serem advertidos por isso, apesar da política rígida da escola. Mas os donos da escola não precisam pedir permissão para ninguém.

Porém a letra elegante com a escrita “caça tiro pesca” no pacote causa aquele momento em que você descobre que o filme clichê, na realidade, é um suspense. Neste momento a curiosidade já é forte, e o suficiente para que o livro seja lido rapidamente.

Os medievais são tão peculiares quanto a STAGS, como uma personificação da instituição, ou membros de um conselho que apenas eles conhecem. Eles desprezam qualquer forma de tecnologia da mesma forma que a escola ignora inovações e se prende aos professores antigos e aulas de latim. Esta peculiaridade fica ainda mais clara no esperado feriado, quando têm a casa de Henry para si, sem nenhuma supervisão. Este é o momento em que Regina George definitivamente faria uma festa enquanto seus pais estão fora da cidade. Mas Henry segue tradições, e toda uma agenda de tarefas é criada para seus convidados, com jantares de gala e, principalmente, “caça tiro pesca”.

A tradição de caça a animais é apresentada no livro como a menor das peculiaridades dos medievais. A ausência de tecnologia e o comportamento formal fazem com que, neste ponto, adolescentes caçando alguns cervos e peixes seja algo tradicional e aceitável.

A comparação com Jogos Vorazes é inevitável, mas a história não chega a ser tão complexa, muito menos tão política. A Caça é movido por ideologias pessoais extremas, com motivos rasos, mas coerentes com o tipo de pensamento totalitário apresentado pelos privilegiados medievais. Não existe certo e errado, os “dois lados” – apenas o absurdo psicótico movido por preconceito. Mas como é feito por personagens adolescentes, fica criativo e curioso o suficiente para ser um bom livro juvenil, apesar de preferirem usar o sangue de seus inimigos às quartas no lugar do rosa.