A música que ganha vida, o brilhante Taron Egerton e o Elton John real: 3 motivos para a consagração de Rocketman

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Rocketman teria a tarefa de ser a cinebiografia da estrela Elton John. Mas o que foi entregue é a realidade do garoto Reginald Dwight, e como ele se tornou o homem Elton John. A avalanche de sentimentos que acompanhou sua trajetória é um acompanhamento.

É como se o filme estivesse destinado ao seu próprio estrelato. Desde a inspiração por Elton John, até o impecável roteiro de Lee Hall e direção de Dexter Fletcher, e obviamente a performance brilhante de Taron Egerton, os motivos levam à consagração de Rocketman.

1. A música de Elton John ganha vida

Em Rocketman, a música acompanha a trajetória do cantor não apenas em momentos lúcidos, mas também como forma fantasiosa. As canções não estão ali apenas para contarem como foi seu processo de composição, mas para ilustrar certos momentos e passagens da vida de Elton John como um passe de mágica. O ato de se envolver tanto com um show ao ponto de flutuar, ou deixar a imaginação fluir durante a infância, quando se pode ser o maestro de uma orquestra em seu próprio quarto, são fantasias transformadas em realidade por Rocketman.

A sequência de Saturday Night’s Alright (For Fighting) é uma das primeiras a mostrar como as músicas seriam retratadas no filme, e sem dúvidas a melhor de todas. Uma cena que poderia ter saído de Grease mostra a rebeldia dos anos 50 e a passagem da infância para a vida adulta de Elton John da melhor forma emocional e cinematográfica possível: com a mudança do garotinho tímido para o rockstar que vivia dentro dele, através de uma câmera seguindo os bailarinos durante a coreografia, sem muitos efeitos e cortes. Então o filme assume ser um musical, e um dos bons.

O filme é repleto de canções, e elas funcionam como um bônus para a atuação de Taron Egerton, algo que colabora para a expressão dos sentimentos dos personagens, como em Your Song, que cria um vínculo de amor e amizade genuína entre Elton e Bernie Tapin, seu melhor amigo e compositor. Rocket Man aparece em algumas cenas, mas tem seu auge no filme justamente no pior dos momentos de Elton, quando o personagem é carregado em um hospital enquanto conta o quão solitário é o espaço.

2. Taron Egerton escreve seu nome na lista de favoritos ao Oscar

Não seria possível realizar o modo Rocketman de criar uma cinebiografia – com canções ilustrando sentimentos e focando na humanidade de Elton John – sem o trabalho espetacular de Taron Egerton. O ator foi incentivado por Elton John a não copiar, mas criar sua própria impressão do cantor, algo que funcionou perfeitamente. Taron vive a história de Elton como uma fábula realista. Ele sabe explorar quem é Elton nos palcos, com plumas e adereços, e fora dos palcos, ainda o garoto tímido, repleto de inseguranças.

A busca de Elton por amor existe desde sua infância, e em meio aos grandes triunfos de sua carreira, o olhar solitário ainda está lá, para todos enxergarem, e finalmente conhecerem Elton John através de Taron Egerton.

A brilhante atuação foi ainda mais profunda pelas canções, cantadas pelo ator (e ótimo cantor). O filme tem como trilha sonora as emoções de maneira fantástica, e ainda assim humana, entoadas pelo talento e trabalho de Taron. Seu feito em Rocketman é um daqueles que marcam carreiras, e também as indicações ao Oscar.

3. Altos muito altos, baixos muito baixos

Rocketman é sobre como a sorte encontrou o talento de Elton John, não sobre os dias de glória de um rockstar. O homem que vive além dos palcos é o verdadeiro protagonista em uma história em que os altos são muito altos, e os baixos, muito baixos. O filme mostra isso, sem exageros, sem esconder. Principalmente os baixos.

A necessidade de ser um rockstar e agir como um, de certa forma, ajudou Elton a expressar sua personalidade nos figurinos, e passar do garoto tímido para uma lenda que faz shows de tirar o fôlego.

A falta de carinho e atenção de sua família, a insegurança, a descoberta de sua sexualidade e os vícios fazem parte da história de Elton John tanto quanto os prêmios e vendas de discos. Não há vergonha, nem apelação, apenas a realidade. E tal realidade apesar de ser feita com elementos de fantasia, afinal estamos oficialmente em um musical nesta parte do filme, é tão honesta quanto uma cena dramática fechada em apenas um rosto.