Como a celebração da história da Marvel leva seus personagens ao melhor fim em Vingadores: Ultimato

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Este post contém spoilers!

Entregar o prometido era o esperado para o desfecho dos primeiros 11 anos do Universo Cinematográfico da Marvel. Vingadores: Ultimato deveria ser difícil, mas bom para os personagens. Complexo, mas divertido. Resolver a situação de Guerra Infinita, mas sem estabelecer clichês. A realidade é que o filme deveria seguir uma lista de regras para agradar aos críticos, mas conseguiu continuar sendo sinônimo de “sem precedentes” ao agradar os fãs.

Kevin Feige e Joe e Anthony Russo conseguiram arquitetar uma festa que celebra os 11 anos da Marvel nos cinemas em formato de filme. A encantadora linha temporal, que começou com Homem de Ferro em 2008, é a protagonista, e faz questão de relembrar aos concorrentes que, para chegar ao ponto de poder construir algo como Ultimato, é necessário ter paciência, e não pressa. Afinal a Marvel não funciona com tamanha grandiosidade pelos personagens, ou porque os filmes são impecáveis. Mas pela expectativa que o universo conseguiu criar. Pelas cenas pós-crédito que davam pistas para os próximos passos. Pelos easter eggs que deixavam os fãs pensando por meses até o próximo lançamento. Pelas teorias que poderiam ser criadas, afinal parte da jornada é o fim, e o fim já estava sendo esperado desde o começo. A espera criou os fãs, e os fãs criaram o sucesso da Marvel.

A celebração da história da Marvel aparece em detalhes que já haviam sido adivinhados anteriormente por fãs – aliás, Ultimato consegue ser muito mais previsível do que Guerra Infinita. Porém o filme não cria a viagem no tempo com a fórmula oficial de Hollywood. Assim como tudo o que faz, a Marvel cria sua própria teoria, com leis e regras, para que os Vingadores possam dar saltos no tempo.

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Relembrar a batalha de Nova Iorque, com a cena icônica do círculo dos Vingadores, assim como visitar Asgard, ouvir Quill cantar e conhecer os anos 1970 ao lado de Howard Stark são momentos que moldam uma nostalgia preocupada em agradar os fãs enquanto cria, mais uma vez, algo sem precedentes. As três horas de filme não são sentidas justamente pelo anseio de conhecer ângulos novos, rever versões antigas dos protagonistas, e dar espaço aos personagens favoritos para viverem momentos importantes no passado – algo como um consenso carinhoso, um “ok, pode demorar um pouco, você merece passar um tempo com seu pai”. A ironia criada pela Marvel é que, para solucionar os danos causados por Thanos, a história teve que ser contada, e apreciada, mais uma vez.

Além de celebrar sua história, Ultimato busca colocar os seis vingadores originais como protagonistas mais uma vez, para que suas jornadas até então ganhem um desfecho. Muitos reclamam da forma como os personagens viveram durante os cinco anos pós-Thanos. A verdade é que o desenvolvimento criado para Thor em Ragnarok, por exemplo, pode ter sido perdido, mas existem diversas variáveis para um personagem. Se ele permanecesse forte e inabalável, realmente seria o deus do trovão. Mas triste e solitário também seria uma opção, para qualquer um dos personagens.

Da mesma forma que seria aceitável ver Tony Stark desolado por cinco anos, mas o futuro do personagem se transformou no feliz e breve descanso ao lado de Pepper e sua filha, Morgan. O fator que faz a diferença no público é a preferência. Particularmente prefiro o Thor de Ragnarok, com raios nas veias, assim como Tony Stark vivo e sempre presente no MCU. Mas as mudanças, assim como os sacrifícios, por mais que doam, fazem sentido. Tony Stark provou para todos que ainda insistiam em negar que é sim o maior vingador, e que sua importância em todo o universo é extraordinária. Assim como Natasha Romanoff, que assim como Tony, aceitou o sacrifício para que o estalar de dedos de Thanos fosse desfeito. Este é o principal poder de Ultimato. Por mais que as decisões tomadas não agradem a todos, elas ainda assim são plausíveis.

Porém o desfecho dos protagonistas fica claramente concentrado nos percursores de toda a história. A briga com Thanos se iniciou na Terra, e a grande batalha no espaço já vista nos quadrinhos, foi transferida para o planeta de Capitão América e Homem de Ferro. Quando o trailer anunciou que parte da jornada é o fim, parecia apenas uma frase de efeito. Mas o filme realmente cria um final apreciado, com uma cena de batalha épica, com todos os heróis da Marvel juntos, protagonizando o tão falado endgame. Capitã Marvel estava sendo esperada para solucionar o problema (e talvez esta fosse a variável favorita), mas desta forma não seria o fim da jornada, seria o começo de outra – da nova fase da Marvel. Mas Ultimato foca naquilo que promete desde o início: no fim.

A Marvel fez mais do que adaptações cinematográficas que encantam os fãs de super-heróis. O que foi criado em 11 anos é um universo, uma nova mitologia contemporânea que no futuro será chamada de clássico da cultura pop. As pessoas que lotaram os cinemas e que deram US$ 1,2 bilhão em bilheteria mundial para Ultimato em seu primeiro final de semana fizeram mais do que chorar e vibrar como em um jogo de futebol. A história está sendo presenciada em cinemas lotados de fãs que são sortudos o suficientes para viver este momento. Chorando, rindo, vibrando ou criando teorias, a verdade é que a expectativa ainda está presente nos fãs, e após o fim ser processado e a nova fase for iniciada, saberemos que fizemos parte da história do cinema.