Shazam! é representatividade para todos que já sonharam em ser super-heróis

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O Universo Cinematográfico da DC parou de temer a comédia para que Shazam! pudesse ser criado. A visão realista e sombria, que seria a identidade do estúdio, não poderia contar a história de Billy Batson, um jovem de 16 anos que recebe os poderes de heróis e deuses como Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio – e aí já aparece o nome: Shazam. A mudança veio para o bem.

Shazam! parece uma adaptação literária – aquela dos sonhos para Percy Jackson, com bons efeitos especiais e um vilão que é motivado, mesmo que inconscientemente, e não simplesmente quer destruir o universo. Apesar de ser um filme de origem de super-herói, a juventude nostálgica de Shazam! traz um elemento novo para as telas. O filme que deveria ser simplesmente bom se tornou encantador.

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A transição entre o garoto Billy Batson para o super-herói Shazam é perfeitamente apresentada por Asher Angel e Zachary Levi, que criam o verdadeiro sentido do filme. O sonho de criança é realizado  quando Billy ganha os poderes, o que fica ainda mais interessante quando o amigo e grande fã de heróis Freddie Freeman entra em cena para ajudar a testar os poderes de Shazam.

Freddie também ajuda a criar o tom de amadurecimento do filme, necessário para que Billy valorize o que recebeu e aquilo que já tinha: sua família. A representatividade do apoio oferecido pela nova família de Billy, que é adotado, é necessária e funciona como mais um elo de proximidade entre o protagonista e o público.

Os acertos de Shazam! são autossuficientes, e funcionam de maneira individual em um universo cinematográfico que infelizmente não possui uma linha temporal organizada, que faça sentido para que algo seja esperado, ou uma história maior seja contada. Óbvio que não precisa haver apenas uma forma de criação de filmes de super-heróis, mas o costume de assistir a filmes da Marvel, por exemplo, que estão conectados e buscam literalmente construir um universo, cria o sentimento de que bons personagens em filmes soltos, como Shazam!, estão sendo mal aproveitados.

Mas se assistido como um único elemento, sem ser prejudicado pela falta de organização de seu próprio universo, a diversão foi uma ótima escolha para contar a história de Shazam!. O filme entretém, arranca muitas risadas e atrai o público jovem com um presente de identificação em um herói inocente, que não se preocupa com lições de moral, mas com o que julga ser certo em meio a seu amadurecimento.