A representatividade de Capitã Marvel é necessária, e não existe para ser comparada com Pantera Negra

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Aqueles que julgaram tanto a atuação de uma vencedora do Oscar de Melhor Atriz tendo como base imagens de um pôster caíram na armadilha do próprio argumento de “não entender o suficiente da história”. Capitã Marvel mostra a origem de sua protagonista de uma maneira diferente. Ela começa o filme com os poderes, sem saber de seu passado. O público a conhece junto dela mesma. O filme consegue mostrar o passado da personagem com flashbacks curtos e significativos, sem estender o filme. Tudo isso enquanto Carol Danvers deveria esconder suas emoções no exército Kree, já que as mesmas eram vistas como uma fraqueza.

Capitã Marvel é um filme diferenciado não apenas no quesito heroico. Sua montagem como filme de origem é inédita no MCU, mas seu diferencial está em ressaltar a humanidade em todos os detalhes da produção, e, principalmente, a emoção. Ao contrário de outros super-heróis, Carol Danvers não chega ao ápice de seus poderes quando aprende a controlá-los, mas sim quando deixa que seu lado humano e emotivo tome conta de sua personalidade.

Cenas que reforçam a sincera amizade entre Carol Danvers e Maria Rambeau, assim como a relação da protagonista com Nick Fury e até mesmo a empatia criada com os divertidos Skrulls reforçam que este é um filme diferente, sem medo de arrancar desaprovações de uma plateia que pode, possivelmente, ser um tanto quanto imatura, e que acaba por ver a representatividade como algo desnecessário.

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Comparar Capitã Marvel com Pantera Negra é preconceito disfarçado de crítica. Se este fosse o caso, todos os filmes de origem de super-heróis deveriam ser comparados com o que Pantera Negra representa – e todos, consequentemente, seriam inferiores. Apenas Pantera Negra poderia contar a história de Pantera Negra, da mesma forma que a função de Capitã Marvel é representar sua própria luta.

Existia uma certa expectativa de que Capitã Marvel deveria sorrir o tempo inteiro e provar que pode ser forte enquanto é uma mulher, afinal isso seria “o certo”, seria “como Pantera Negra fez”. Porém não cabe aos homens decidir o que deve ser a representatividade feminina. Capitã Marvel não se trata de uma personagem política, em um filme extremamente ideológico. Carol Danvers é humana, e não precisa falar sobre o feminismo durante o filme todo para representá-lo. A verdade é que a personagem não precisa provar nada para ninguém. Sua existência como protagonista já representa o feminismo, e já basta.

Assim como a imagem de Robert Downey Jr. está completamente ligada ao Tony Stark, a Marvel está definitivamente moldando Brie Larson na mesma forma, para não apenas interpretar Capitã Marvel, mas para representar Carol Danvers dentro e fora das telas. A existência da protagonista é necessária, e não aparece como uma fábula, mas sim como realidade. Capitã Marvel é a heroína mais poderosa do MCU, humana e ainda uma grande peça para Vingadores: Ultimato, mas por trás disso há uma necessária representatividade que veio como bônus em um ótimo filme de origem.