Exaltar 7 Rings não é sobre superestimar o superficial, mas reconhecer que Ariana Grande acaba de mudar o pop para as mulheres

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Os quatro álbuns de estúdio de Ariana Grande já são capazes de destacá-la na indústria musical. A evolução gradativa de sua discografia e videografia pode ser notada até mesmo por aqueles que não se identificam com os estilos propostos pela cantora. Sem contar seus vocais singulares que a colocam em outro patamar. Porém o que tem sido feito com seu quinto álbum, Thank U, Next, sai do padrão proposto pela música pop e cria uma nova forma de ver a indústria da música.

Com 7 Rings, Ariana Grande e seus outros nove co-compositores foram beneficiados de influências do rap para que um clima de luxo e exibicionismo fosse criado como superação. A canção foi apontada como superficial, mesmo em uma indústria em que a maioria das músicas do topo dos charts falam sobre festas e dinheiro. Mas a problematização é relativa, e quando uma mulher do pop resolve cantar sobre os mesmos assuntos que moldam carreiras completas de rappers, ela está errada, ou “roubando o estilo“.

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Como na natureza, na música nada se cria, tudo se transforma. Influências de artistas e estilos são absurdamente necessárias para novas músicas. Todos os artistas são inspirados por outros artistas. Seguindo um pensamento de Mark Ronson, esta é a era das samples, e a música hoje é sobre “pegar tudo o que você gosta e transformar em seu“. Portanto as reclamações por Ariana estar utilizando influências do rap para 7 Rings devem ser justas e enviadas para cada artista que já utilizou mais de um estilo em suas canções. The Beatles, Queen, Lady Gaga, Anitta, Ed Sheeran… todos estariam na fila.

Músicas sobre dinheiro e gastos exorbitantes sempre foram o centro do rap, inclusive de rappers femininas. Mas quando se trata do pop, a indústria prefere resumir as artistas em sofrimento pós rejeição ou término de uma relação. E mesmo quando o que é esperado acontece, as críticas sempre aparecem. Como com Taylor Swift, que está sempre errada por escrever sobre seus ex-namorados. Mas enquanto para Taylor Swift nada nunca será o suficiente, para Ariana Grande tudo sempre será um aproveitamento às custas de alguém.

Porém, as pessoas que não conseguem enxergar o conceito por trás de seu próprio julgamento são as que levam um “não gosto dela” como argumento, desvalorizando qualquer implicância infantil disfarçada de opinião negativa. A era de Thank U, Next é a mais genuína que Ariana já lançou em toda a sua carreira, pois foi extraída diretamente de suas vivências.

Canalizar seu sofrimento causado devido a todos os acontecimentos recentes de sua vida na música foi a forma que Ariana encontrou para superar. Afirmar que a cantora está se aproveitando de todas as situações é procurar ofendê-la com sua própria verdade. Ariana está mesmo tirando o máximo de proveito de cada situação, afinal este é o significado literal do ser artista.

Faz parte da liberdade artística expressar sentimentos momentâneos em canções. Ninguém fica com o coração quebrado para sempre, então seria inútil escrever sobre isso por toda uma carreira. Felizmente Ariana compreende que sua música pode perfeitamente ser dividida em fases, como sua vida, sem estar limitada a um estilo específico. Sua arte é sua vida, e o que quer que esteja vivendo no momento será sua próxima música, por mais que seja sobre compras exageradas na Tiffany – o que consegue ser mais sincero que muitos artistas que cantam sobre o assunto sem ao menos escrever suas canções.

Exaltar 7 Rings não é sobre preferência musical ou superestimar uma música com letra  superficial, mas sim sobre o reconhecimento de que as mulheres no pop também podem cantar sobre o dinheiro que ganham devido a seu trabalho, e sobre comprar um anel de noivado sem precisar de um homem para oferecê-lo, e fazer sucesso com isso. Nem todas as músicas precisam salvar o mundo. Ariana sabe que se ela quer, ela tem. Você gostando disso ou não.