A celebração da liberdade feminina do LM5 criada a partir dos sete anos de crescimento e provações de Little Mix

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Little Mix apresenta o LM5 como uma celebração. O álbum enaltece a liberdade feminina da mesma forma que o grupo se libertou da SYCO, gravadora que controlava excessivamente cada passo de seu sucesso. Por mais que o próximo álbum seja a marca oficial do fim do contrato, o quinto álbum de estúdio da girlband cria um discurso genuinamente empoderado, que funciona como um resultado de sete anos de crescimento e provações.

O disco conta com verdadeiros hinos de um feminismo divertido e verdadeiro, que incentiva o ouvinte a fazer parte. Strip poderia ser o título do álbum, afinal o representa em sonoridade e mensagem. Little Mix não precisa mais pedir permissão, ou impor respeito – se trata de autossuficiência, um tema muito bem explorado em The Cure. Joan of Arc segue a linha de Strip quando as meninas brincam com os exuberantes vocais mesclados com um R&B popular.

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Love a Girl e Told You So se assemelham com o pop cativante dos anos 2000, e passam uma genuína mensagem de sororidade e amizade através das ótimas harmonias de Perrie Edwards, Leigh-Anne Pinnock, Jesy Nelson e Jade Thirlwall. Wasabi funciona não como uma resposta, mas um comunicado ao conservadorismo do Reino Unido, onde a mídia tradicional é forte e insiste em julgar o grupo por suas roupas ao invés do talento. Womans World também entra na lista das melhores do álbum ao expor a realidade feminina no mundo.

As faixas que não possuem nenhuma das meninas entre os compositores foram criadas por uma equipe que já as acompanha. Essas canções voltam para o pop romântico já apresentado por elas nos álbuns anteriores, porém mais provocativo, como em Monster In Me, em que uma relação tóxica é mantida e desejada. É como se a gravadora, que sempre decidiu o que elas cantariam, estivesse tentando se adaptar ao novo estilo proposto, em que Little Mix dita as regras e o conceito de empoderamento e autossuficiência.

Mas apesar das canções serem boas, isso não exclui o fato delas não se encaixarem tão bem com o conceito proposto por Little Mix. American Boy é uma faixa excelente, porém incita o ciúmes logo após uma música de amizade, assim como More Than Words, que ignora a autossuficiência e se desespera pelo amor. Um artista não deve escolher um tema único para falar, nem seguir um padrão para se encaixar em regras, mas um discurso coerente, em que a personalidade não mude no mesmo álbum, faz a diferença.

Porém as dificuldades que Little Mix encontrou até então para criar suas próprias canções não deve ser ignorada. Jade Thirlwall e Leigh-Anne Pinnock se destacam no LM5 por participarem da metade das composições – o que já é um avanço. Um conceito mais homogêneo pode ser esperado para seus próximos lançamentos, em que uma liberdade maior deve existir. É impossível analisar o futuro de Little Mix sem esboçar um sonho de um álbum com uma equipe inteiramente feminina – para que o empoderamento vá além da imagem artística, mas também apareça na prática.

O LM5 funciona como o ápice do crescimento de Little Mix, e por isso foi criado para ser lançado ainda na SYCO – não apenas pela parte ainda controladora da gravadora, que insere a mesma equipe, que por mais que realize um ótimo trabalho, dita os conceitos para a girlband, mas também pela parte da Little Mix, que enfrenta as intimações e quebra barreiras com os nomes de suas integrantes nos créditos de algumas canções, e um conceito escolhido por elas em toda a divulgação do disco.

Esperançosamente em sua próxima fase, Little Mix levará todos os anos anteriores como aprendizado e carga emocional para que criações autorais apareçam com mais frequência. Seu caminho promete ser repleto de mensagens genuínas e um propósito sólido e verdadeiro. Quando isso é colocado ao lado de seus vocais e performances, não resta dúvidas de que não existe concorrência para Little Mix.