Os Crimes de Grindelwald traz a leveza de Harry Potter de volta às telas e define o futuro da franquia Animais Fantásticos

0
13

Enquanto o primeiro filme de Animais Fantásticos se distanciou da maneira Harry Potter de narrar o mundo bruxo, Os Crimes de Grindelwald faz o oposto, e adiciona a leveza já conhecida à continuidade da história. O filme, focado em grandes revelações que fazem a Nagini humana do trailer parecer um simples bônus, mostra o verdadeiro potencial de franquia da série.

Ao contrário do primeiro, o segundo filme começa a mostrar que uma guerra está se aproximando, e impõe a decisão de ‘escolha de um lado’ aos seus personagens. O jovem Alvo Dumbledore convoca Newt Scamander – que continua com sua adorável personalidade perfeitamente criada por Eddie Redmayne, focado no que é certo, e com muito amor pelos seus animais fantásticos – para impedir Grindelwald de criar algo como uma nova ordem mundial que busca a superioridade dos nascidos bruxos.

Grindelwald soa como um ditador, mas seu discurso é genérico, não consegue ser tão grandioso para impressionar fora da tela, e definitivamente não aparenta ser um dos bruxos mais terríveis da história. Sua relação com Dumbledore fica subentendida, e o motivo dos dois escolherem terceiros para lutarem em seus nomes só aparece no final.

Os Ministérios da Magia que aparecem no filme (americano, inglês e francês) representam o outro lado, contra Grindelwald. Porém não parecem preocupados o suficiente, ou tão organizados. A essência amadurecida de Animais Fantásticos e Onde Habitam fez falta, pois um tom mais político poderia ter sido muito bem aproveitado.

Newt Scamander deixa o posto de único protagonista e agora o divide com Grindelwald e Credence. O papel de Queenie e Tina se torna mais grandioso na franquia como um todo, assim como o ótimo Dumbledore de Jude Law, que certamente entrará na lista dos protagonistas no próximo filme – e está aí, na história dos dois personagens com as Relíquias da Morte (completamente deixadas de lado no segundo filme), a esperança de um vilão mais desenvolvido no futuro.

Os efeitos de dar inveja a Harry Potter, assim como os maravilhosos visuais, dão vida à genialidade do roteiro de J.K. Rowling, que explora ainda mais o universo bruxo com novos feitiços e detalhes de uma cultura extremamente rica com os protagonistas adultos, já formados, e que consequentemente podem oferecer mais ao enredo.

Leta Lestrange, noiva do irmão de Newt, Theseus, colabora para que o destino da trama seja definido, e participa de uma das melhores sequências do filme: um flashback de sua passagem por Hogwarts como aluna, com um já adorável Newt Scamander jovem. Hogwarts aparece também no então presente, com a trilha sonora clássica de Harry Potter, criando uma atmosfera nostálgica de volta às aulas, e reforça a lealdade da escola e de seus alunos com Dumbledore.

O mais interessante de Animais Fantásticos é o modo como a franquia está sendo desenvolvida. A liberdade de Rowling em criar roteiros baseados em um universo completo, e não em um livro, deixa as revelações pouco óbvias. O futuro, e em algumas vezes, o passado dos personagens, é inesperado – algo que acontece com Credence, que no primeiro filme foi considerado morto, e termina Os Crimes de Grindelwald como o principal rosto de toda a franquia.

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald tem a função de contextualizar a franquia e apontar os motivos de cada personagem. Os ‘mocinhos’ trabalham bem em equipe, mas ainda falta uma personalidade forte o suficiente no vilão para criar o famoso perigo iminente. Porém, com o conhecimento do desfecho, fica fácil afirmar que os erros podem ser acertados, e talvez até sejam propositais, afinal se trata de uma franquia longa, com cinco filmes.

Os Crimes de Grindelwald não deixa de ser um ‘filme de saga’. A história contada assim, de maneira arrastada, é normal, e os fãs já estão acostumados. Com isso, o segundo filme da série não pode ser tão criticado. Sem contar que se trata da excelente magia do universo de Harry Potter, e só isso já agradaria. Felizmente Animais Fantásticos depende do extraordinário trabalho de J.K. Rowling para que a história de Dumbledore e Grindelwald seja contada, o que já garante o sucesso da franquia.