Bohemian Rhapsody relembra a genialidade de Freddie Mercury como uma saudação ao rei por trás de Queen

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A história do Queen poderia ser considerada um roteiro original. Narrada pelo ponto de vista de Freddie Mercury, fica ainda mais difícil de acreditar que o enredo não é fictício. Bohemian Rhapsody ilustra o anseio do ícone do rock de ser exatamente quem nasceu para ser, sem precisar colocar rótulos que categorizem sua existência ou sua arte.

A essência do filme não poderia ser criada sem o impecável trabalho de caracterização de Rami Malek como Freddie Mercury, seguido por Gwilyn Lee como Brian May, Ben Hardy como Roger Taylor e Joseph Mazzello como John Deacon. O elenco incorpora as lendas do Queen de maneira alinhada, enquanto o diretor Bryan Singer colabora para que momentos épicos de turnês, assim como o show no Live Aid, sejam bem representados. 

O roteiro de Anthony McCarten retrata o crescimento de Freddie, que coexistiu com o desenvolvimento da banda, de maneira rápida, sem se estender por muito tempo em ocasiões específicas. A pressa em colocar em duas horas toda a história do Queen não é notada pois momentos importantes para o grupo ficam em evidência em todos os momentos.

Tais ocasiões, como o perfeccionismo nas composições e produções, assim como a luta para lançar os longos seis minutos de Bohemian Rhapsody como single, se transformam em cenas que fazem com que o filme vá além de um ato biográfico e se torne inspiração para o público. Isso acontece pelo inteligente talento de Freddie, seguido por sua forte personalidade, que sempre foi acompanhada pela certeza de que seu trabalho ultrapassa os padrões e representa o seu melhor.

As negações que sempre apareciam na vida de Freddie, seja por integrantes da banda, chefes das gravadoras, críticas negativas da imprensa, censura e comentários relacionados a sua vida pessoal, são colocadas como uma forma de prova irônica, ou um simples “eu te avisei”, para todos aqueles que duvidaram de algo que ele já havia provado ter certeza, rebatido com nada além de seu talento entoado por multidões.

O protagonista é então encontrado na figura criada pelo ego de Freddie. O que em algumas vezes é visto como problemático, que até gera a separação do Queen por um tempo, também tem os estágios de genialidade no momento de composição das músicas do grupo, e divertimento com os característicos detalhes que vêm em formato de gatos e hábitos, que fazem de Freddie um ícone singular também fora dos palcos.

Bohemian Rhapsody decide deixar as dificuldades que Freddie encontrou ao contrair a AIDS, assim como seu comportamento impulsivo, com fama, fortuna e tudo o que isso traz, em segundo plano para focar na genialidade do artista. Porém, quando as complicações aparecem, são feitas da forma que Freddie desejava: sem lamentações, como um lembrete de que ninguém vive para sempre, mas que sua música seria imortal.

Feito para relembrar e não surpreender, o filme valoriza Freddie Mercury como artista – e com uma história tão icônica quanto sua figura, não há surpresas a serem inventadas que possam superar o excepcional líder de uma das maiores bandas do mundo. Bohemian Rhapsody recorda que Freddie viveu sem rótulos, e transmitiu tal coragem para sua música, se transformando na única essência da banda, sendo assim uma bela saudação ao rei por trás de Queen.