Magia em seu formato mais clichê de Consequences divulga a totalidade artística de Camila Cabello

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O material apresentado na carreira solo de Camila Cabello apaga qualquer teste que gravadoras tenham feito com seu talento no passado. A identidade que ultrapassa as rádios aparece também em produções de apresentações ao vivo e uma estrutura original para a sua turnê fazem o mundo conhecer uma Camila que é uma artista, além de um produto. A estimada liberdade abre espaço para que canções como Consequences sejam escritas, e a popularização da arte autoral faz com que essas mesmas canções sejam escutadas.

O terceiro single cumpre sua função de divulgação do primeiro álbum da cantora assim como Havana e Never Be The Same fizeram, porém apresenta o lado mais sincero e literal do trabalho de Camila. Consequences divulga o álbum, mas propaga também a totalidade artística de Camila Cabello, que consegue estar por trás das canções que performa, sejam elas hits com batidas alegres ou baladas compostas em um piano.

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A faixa que era simples e pessoal, quase como um interlúdio, se transforma em single com uma envolvente orquestra adicionada à produção. A composição sensível se torna grandiosa quando cantada junto dos novos instrumentos, principalmente ao ser interpretada pelos vocais roucos e arriscados de Camila, que intensificam cada nota. Uma profunda análise de sentimentos é feita e transformada em uma música que serve como explicação para uma história de amor vivida.

O diretor Dave Meyers adiciona um toque de magia aos dilemas da letra na representação visual de Consequences. Os efeitos criam uma aura fascinante que parecem sair de cenas de um musical romântico, que possui Dylan Sprouse como galã, ou o tão estimado príncipe encantado. A magia em seu formato mais clichê está presente em todos os detalhes nada sutis do clipe. Porém, o mais interessante aparece no desenvolvimento do roteiro, que retrata uma Camila do presente analisando as consequências de um amor, ou seja, fazendo o mesmo do processo de composição da canção.

O clipe transforma a canção em história, e consequentemente, em roteiro, que assim como a faixa também é assinado por Camila Cabello. Os anos cantando canções sem ter o poder de aceitá-las talvez não sejam os responsáveis por um incentivo que leva Camila a estar por trás de sua imagem em sua carreira solo, mas definitivamente servem para enaltecer todas as criações da cantora no presente. A vulnerabilidade de Camila fora das batidas agitadas é tão cativante quanto a eletricidade de Havana, e prova mais uma vez que a excelência de Camila Cabello não aparece pelo ritmo, mas sim pela sua essência.