As descobertas pessoais de Troye Sivan como essência do artístico de Bloom

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Troye Sivan já possui uma identidade artística definida desde o lançamento de seu primeiro disco, Blue Neighbourhood. O desafio para a atual fase de sua carreira é reforçar sua essência em Bloom, seu segundo álbum de estúdio. A proposta de seguir criando um material de qualidade pode ser difícil quando as inspirações vêm de vivências pessoais,  e são passadas de uma maneira aberta, sem máscaras, como Troye escolheu criar. As canções reais, sem estarem escondidas por conceitos, podem sofrer para serem escritas, principalmente pela espontaneidade do cotidiano e dos sentimentos que o acompanham.

Bloom é mais profundo e sombrio que qualquer outro trabalho lançado por Sivan. As batidas pesadas e eletrônicas são acompanhadas de seus vocais graves, que a cada faixa soam mais como sussurros que pretendem contar as histórias por trás daquela voz. Para contrapor a intensidade das canções, ‘The Good Side’ aparece como uma balada focada na sobreposição de acordes de um violão para manter a tranquilidade proposta pela letra, que expressa a vida além da arte. Tudo o que é escutado um dia foi inspiração, e Troye inseriu a parte boa que acabou vivendo após o término de um relacionamento em suas canções, para que o mundo pudesse dançar ao som de sua própria realidade.

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Bloom é a representação de temas singulares vividos na vida pessoal de Troye. O amor na juventude é retratado com a urgência com que um romance adolescente é sentido. O disco conta a história atual do cantor, dividida em capítulos, sendo um por faixa, como a parceria com Ariana Grande, ‘Dance To This’, que extrai arte da intimidade de um casal que prefere ficar em casa e dançar na cozinha do que ir à uma festa, ou as imperfeições em um parceiro de “Postcard” e a impressão de que um relacionamento não tem futuro de “Plum”.

O segundo álbum de Sivan é o retrato natural de sua sexualidade na arte. Não pelo fato da homossexualidade, mas sim pela escolha de tratar de descobertas pessoais em suas canções. O cantor explora seu lado artístico a partir de suas experiências com naturalidade, e consegue criar canções com uma representatividade natural. Felizmente o trabalho criado em Bloom se desprende do clichê que produtos que abordam orientação sexual normalmente apresentam. Isso só é possível pela verdade que acompanha cada palavra escrita para representar sua verdade, sem querer sensacionalizar sua maneira de amar.