A onda pessimista do jornalismo esportivo brasileiro que incentiva a falta de empatia com a seleção

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Foto: REUTERS/Lee Smith

Durante a Copa do Mundo da Rússia, é como se todos torcessem pelo Brasil, menos os brasileiros. Os empates são muito disputados, as vitórias fáceis demais e as derrotas, por mais que não tenham aparecido, parecem almejadas, para que os comentários negativos tenham mais força. Existe uma onda pessimista no jornalismo esportivo brasileiro que funciona como se os elogios fossem proibidos. As críticas à seleção são dadas a cada minuto, enquanto outras seleções, que ao fazerem as mesmas ações já criticadas, são elogiadas. E quando fica óbvio o bom futebol que o Brasil está apresentando, os comentários pesados são dirigidos a assuntos que não deveriam estar em pauta.

Com a boa campanha da seleção brasileira na fase de grupos, os comentários negativos foram encaminhados para Neymar, que mesmo recebendo marcações fortes e impossíveis de serem controladas, o jogador aparentemente deveria realizar um milagre para se manter de pé durante os 90 minutos de cada partida. Porém, quando este foi o caso, os comentários se redirecionaram aos seus cabelos, à “fraqueza” de um choro emocionado, ou até mesmo à quantidade de stories postados em seu instagram. De acordo com os jornalistas que aparentemente se fixaram na copa de 1998, as características pessoais e humanas do jogador atrapalham seu desempenho em campo, enquanto os mesmos que insistem em fazer comparações banais e ultrapassadas acreditam que comentar sobre a vida pessoal de um jogador é o certo a se fazer.

E quando a personalidade e vida pessoal de Neymar não é apontada como fraqueza nas mesas redondas, as características dos adversários são enaltecidas. Dias antes do jogo contra a Sérvia, ainda pela fase de grupos, o foco estava inteiramente na altura de seus jogadores. Não no equilíbrio entre defesa e ataque do Brasil. Não nos jogadores mais focados. Mas no único detalhe que os oponentes eram melhores. O jornalismo esportivo brasileiro possui esta mania, que ao usar a regra de apontar “o outro lado” para estabelecer comparações, acaba focando nele, por menor que seja, apenas para diminuir a seleção. Isto acaba provocando um pessimismo que os telespectadores são incentivados a aderir.

É a Copa do Mundo da Rússia, de 2018, e o jornalismo representado por comentaristas ultrapassados deve se adaptar ou ser substituído por jornalistas mais jovens que possam compreender que uma foto no instagram não vai mudar o desempenho de um jogador, assim como um momento de emoção após uma partida não retrata fraqueza – mas sim humanidade. Na realidade, esta ação do choro de Neymar representa tudo o que pode ser encontrado no futebol. Entre as vitórias e derrotas, existe a emoção, o medo e a felicidade por fazer parte de um evento tão grandioso como uma Copa do Mundo. Fraco não é aquele que chora, mas aquele que não consegue ter empatia para identificar uma emoção genuína, e acima de tudo, respeitá-la.

Felizmente algo bom pode ser retirado das críticas igualmente patéticas que vêm da imprensa estrangeira. Os jornalistas brasileiros abriram os olhos para o futebol de Neymar, e exerceram o famoso “nós podemos falar mal dele, vocês não”. Porém, de nada adianta comentar na defensiva, esperando ataques para rebatê-los. É preciso apoiar a seleção sem agir como se fosse uma tarefa de extrema dificuldade. O Brasil é o maior nas quartas, o mais esperado para chegar à final e conquistar a taça. Todos conseguem notar as qualidades do time menos os brasileiros. A frieza e falta de empatia com os jogadores deve ser substituída por apoio e incentivo. Afinal, somos o maior em campo, o favorito na copa, e o único pentacampeão.