A problemática insistência no consumo de um conteúdo prejudicial apenas para a acusação pública de 13 Reasons Why

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O lançamento da segunda temporada de 13 Reasons Why estava cercado por polêmicas antes mesmo de acontecer. Assim que a continuação foi anunciada, inúmeros protestos marcaram as redes sociais, feitos por pessoas que acusam a produção de funcionar como um gatilho mental que pode vir a influenciar sentimentos de depressão e até mesmo suicídio em sua audiência. Tamanhas acusações estão claramente desacompanhadas de informações, afinal a série afirma, antes de todos os episódios da segunda temporada, que seu conteúdo realmente pode provocar gatilhos em um público mais sensível. Ao contrário do que as acusações pensam, isto não é um crime, ou então algo que funciona como desserviço. É apenas o entretenimento em ação.

A qualidade de 13 Reasons Why, em sua primeira e segunda temporada, não vem ao caso neste momento, uma vez que é uma questão apenas de opinião. O ponto a ser discutido é a problemática insistência no consumo de um conteúdo que prejudica a saúde de alguns. Afirmar que a série incentiva o suicídio apenas porque algumas opiniões são contrárias à maneira que a produção retrata alguns acontecimentos é algo sem contexto. Todos possuem a liberdade de escolha para definir o que irão assistir ou deixar de assistir – e a classificação indicativa (no caso, 18 anos) colabora para esta decisão. Continuar o consumo de algo prejudicial apenas para provar que é um conteúdo que causa danos a alguns indivíduos não irá incriminar uma produção do entretenimento, mas sim apenas continuar a prejudicar os indivíduos que escolheram continuar assistindo.

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Existem milhares de histórias similares em filmes, séries, livros, ou qualquer outro exemplo de produção. Um dos maiores sucessos da mesma produtora, Netflix, no ano passado, foi The End Of The F***ing World, uma série em que o protagonista afirma que acredita ser um psicopata, sem contar que apresenta cenas de mutilação de animais, assassinato e tentativa de estupro. Outro grande exemplo é a recordista de audiência Game of Thrones, que possui alguns destes exemplos e outros igualmente pesados. Mas a problematização é relativa, e neste caso 13 Reasons Why está sendo acusada de um aparente crime que inúmeras produções também cometeram e mesmo assim não foram perseguidas, sem motivo aparente.

Séries da Netflix não devem ajudar a combater a corrupção, o racismo ou os distúrbios mentais. Algumas podem ser criadas com o objetivo de passar uma mensagem, um incentivo social, mas por fim elas acabam sendo apenas produções. Esta responsabilidade de ajuda e conscientização deve ser impulsionada para os familiares, educadores e profissionais da área de saúde, sendo estas as pessoas que realmente possuem a obrigação de fazer o papel que muitos estão cobrando da série. O essencial é destacar o papel de cada um antes de espalhar acusações sobre algo que já foi confirmado e alertado, e principalmente recordar que o entretenimento possui a obrigação de entreter, não educar.


Confira o vídeo sobre 13 Reasons Why e a questão que envolve a segunda temporada quanto a ser um gatilho para seu público: