Segunda temporada de 13 Reasons Why falha no enredo e é compensada pela mensagem da necessidade da comunicação durante a educação

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A série que focou em enfatizar a importância da empatia na sociedade em sua primeira temporada fortaleceu sua essência em seus treze novos episódios, ao apresentar a necessidade da comunicação durante a educação de um jovem. A segunda temporada de 13 Reasons Why começa afirmando qual será o núcleo principal de seu enredo: O julgamento da escola de Hannah Baker, feito pelos seus pais, com a acusação de responsabilidade pelo seu suicídio. Ao menos, este deveria ser o ponto principal da série, mas infelizmente a mensagem passada foi esquecida ao longo de um enredo lento, longo e descaracterizado.

Cinco meses após a morte de Hannah, Clay se encontra em um relacionamento com Skye, sendo a primeira falha do roteiro, que infelizmente abriu brechas para outras aparecerem, como a tranquilidade extrema dos personagens e, principalmente, o descaso de seus pais para com suas vidas. É como se os personagens não conseguissem aprender com os assuntos tratados em sua própria série, tornando os avisos de conteúdo que aparecem antes de cada episódio o ponto mais alto dos primeiros episódios. A volta de Justin e seus dilemas colaboraram para aprimorar a série, levando mais uma vez o foco para o julgamento, e também para a dificuldade de Jessica em conviver com Bryce, que finalmente fica explícita. Porém, fica claro que todo o conflito envolvendo a caixa de polaroides e o local intitulado The Clubhouse foi criado apenas para prolongar a produção e fantasiar aquele que deveria ser o principal enredo da segunda temporada.

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As aparições de Hannah para Clay são confusas e perturbadoras, pois não fica claro se elas são de fato a representação de um ser místico, como um fantasma, ou então fruto da imaginação do personagem, tornando-as desnecessárias. Os flashbacks que envolvem a personagem servem para apontar que não existe uma vítima perfeita. Hannah cometeu erros e tinha seus defeitos. Porém, em sua maioria, as cenas recriadas com a protagonista com relações de amizade e romance ficaram forçadas, e mudaram completamente a personalidade já apresentada para o público – e levando em conta que se trata de uma série, a audiência precisa conhecer os personagens e não descobri-los como se fizesse parte da produção.

O roteiro insere uma das poucas qualidades da segunda temporada de 13 Reasons Why ao ilustrar a defesa da escola de Hannah e a acusação de seus pais. O público consegue fazer parte do júri, e as reflexões pessoais que são possibilitadas pelas cenas que envolvem o julgamento e seu preparo são os fatores principais para sustentar a audiência até o último episódio. O fim da temporada indica a possibilidade de uma terceira parte como continuação para os personagens, e não da história em si. Apesar de ser impossível de estabelecer algum pré julgamento antes da decisão ser tomada e uma sinopse ser divulgada, se uma terceira temporada realmente está sendo pensada nestes termos, não é algo que parece se sustentar sozinha, sem Hannah como centro.

Ainda que não tenha convencido por seu enredo, vale a pena destacar que o único incentivo sugerido pela série é o diálogo. Qualquer outro que venha acompanhado com pesadas acusações não condiz com a realidade que envolve o entretenimento e sua função de entreter. O diálogo proposto pela série é de extrema importância e deve ser compreendido antes da criação de ataques nas redes sociais. Algumas situações estressantes da produção infelizmente retratam uma realidade que muitos acreditam ser normal. A cultura de bullying da escola de Hannah não pode levar a culpa por uma tragédia em que os pais da protagonista também fazem parte. A falta de comunicação durante a educação faz parte de um cenário comum, e pode ser apontada como o décimo quarto e principal porquê, que acabou por se tornar o principal ponto da série.


Confira o vídeo sobre 13 Reasons Why e a questão que envolve a segunda temporada quanto a ser um gatilho para seu público: