Energia romântica e eufórica passada por Luis Fonsi é resultado de uma gratidão genuína que define a “Love & Dance World Tour”

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Foto: Giuliana Rossi / Chá das Onze

Uma turnê que carrega toda a pressão de representar a carreira do criador e executor da música do ano de 2017. Este foi o desafio da “Love & Dance World Tour”. Luis Fonsi fez questão de expressar a gratidão por estar em turnê no Brasil pela primeira vez logo no princípio. “Demorei vinte anos para entrar na indústria. Que venham muitos outros para que possamos dançar juntos.” disse ele para a lotada plateia da Live Curitiba, que soube reconhecer seu grande caminho que foi trilhado. O mesmo cantor que em Janeiro conquistou um espaço no palco do Grammy para apresentar o sucesso fenomenal “Despacito” ao lado de Daddy Yankee, levando a representatividade da música latina para o mundo e a transformando em sinônimo de sucesso, permanece humilde e encantado com a grandiosidade de seu triunfo.

Fonsi abriu o espetáculo com a nova e bem popular “Tanto Para Nada” e a ótima “Corazón En La Maleta”, com boas influências do rock dos anos 50 transformadas em country na versão ao vivo, reforçando a identidade artística do artista, que ultimamente vem optando pelas misturas de ritmos diversos com a cultura latina. Ao deixar claro desde o começo do espetáculo que iria alternar as canções animadas com as românticas, o cantor capturou até mesmo a parcela do público que estava presente para cantar apenas uma música. No início, as influências latinas estão nas músicas e coreografias, mas na medida em que o show vai tomando forma de turnê, um pop rock típico da América Latina aparece, representando o lado mais antigo do artista que ficou muito satisfeito ao notar as vozes de seus fãs acompanhando a sua própria nestas canções.

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“Love & Dance World Tour” funciona como significado literal para o que acontece nos palcos, mas a surpresa de assistir Luis Fonsi dançando, cantando, tocando violão e se emocionando através da setlist foi importante para desmistificar a ideia de uma turnê latina focada apenas no reggaeton. “Esta foi a primeira música que criei com alguém específico em mente. É para minha filha.“, disse Fonsi, apresentando “Llegaste tú”, arrancando suspiros do público que mais uma vez se mostrou interessado no cantor como um artista. Em meio à medleys com canções românticas e dançantes, a maior surpresa ficou na utilização da introdução de “Don’t Let Me Down”, de The Chainsmokers e Daya, e na apresentação de um pequeno cover de “Shut Up and Dance”, de Walk The Moon.

Em um dos vários momentos de interação com o público, Fonsi praticamente criou uma ode à Porto Rico, relembrando as dificuldades que a pequena ilha passou por conta dos desastres naturais provocados pelo furacão Maria. “Eu tenho certeza que vocês serão recebidos da mesma maneira que eu fui recebido por vocês.” disse ele, com uma mistura de simpatia e uma singela felicidade por estar no palco com a oportunidade de falar sobre sua terra natal, incentivando o público a visitar o local. E para estreitar a relação com a audiência que já estava cativada, fez questão de brincar, convidando a todos para visitá-lo em sua própria casa no Mar do Caribe, arrancando uma onda de euforia extra da plateia.

Foto: Giuliana Rossi / Chá das Onze
Foto: Giuliana Rossi / Chá das Onze

A aguardada “Échame La Culpa” foi recebida com um entusiasmo maior para os admiradores de Demi Lovato que conseguiram enxergá-la no telão principal. A canção retornou à energia latina adicionada a outros ritmos do início do show, e seu fim foi aguardado pelo anseio de finalmente ouvir o maior sucesso de Luis Fonsi. A expectativa se arrastou por mais alguns minutos, pois as duas canções principais foram intercaladas com “No Me Doy Por Vencido” entre elas, representando a última das baladas, que foi dedicada para todos aqueles que estão passando por uma situação difícil, ganhando uma maior atenção por sua letra e tornando o momento inspirador um dos pontos mais altos do show. A simples introdução acústica e em inglês de “Despacito”, em sua forma de remix com Justin Bieber, expandiu a energia do público. O maior sucesso recebeu uma atenção maior, sendo estendida em quase duas músicas, com uma coreografia imitada pela plateia e o entusiasmo refletido no cantor.

A imagem de Luis Fonsi no centro do palco, cercado da vibração do som que levou não apenas o reconhecimento de seu nome na indústria musical, mas também a representação da cultura latina para o mundo, deixou claro que a energia romântica e eufórica passada através de seu show é resultado de uma gratidão genuína que define a “Love & Dance World Tour”. Uma emoção sincera e pouco vista por artistas que possuem tamanho alcance serviu como melhor agradecimento feito por alguém que conseguiu transformar o cenário fonográfico vinte anos após o início de sua carreira. Por fim, em um gesto sensível, Fonsi se ajoelhou e agradeceu pelo momento, saindo do palco e voltando logo em seguida para um último pulo em meio às cores do papel picado e à saudação do público, com o ritmo do maior sucesso sonoro de 2017 como trilha sonora.