O segredo do sucesso sem precedentes, criado a partir de um risco impecável, que compõe os 10 anos do Universo Cinematográfico da Marvel

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Um ato de ambição cinematográfica que foi iniciado com um grande risco tomado há dez anos. Para aqueles que estão sendo levados pela onda eufórica de “Vingadores: Guerra Infinita” sem compreender o contexto, o objetivo pode parecer um tanto quanto sem sentido. Mas isto é apenas um detalhe que a Marvel Studios não fez questão de explicar, deixando para seus fãs o privilégio de desfrutar da maravilha que foi assistir a este grande risco tomar uma forma ainda maior nos cinemas, e, finalmente, dar certo. Os dez anos de Universo Cinematográfico da Marvel, completados em 2018, ilustram uma mudança no cenário popular nos cinemas, que só foi perceptível quando o mesmo já estava dominado pela logo vermelho pulsante – e então já era tarde demais: um sucesso sem precedentes havia sido alcançado.

Os heróis dos quadrinhos da Marvel Comics dispuseram de uma grande sorte ao serem adaptados pela equipe de produção de Kevin Feige. De qualquer outra maneira, o tom certeiro do estúdio poderia não existir, e os prezados Homem de Ferro e Capitão América seriam mais alguns super-heróis antigos com filmes clichês, repletos de pancadas, que não prezam por uma continuidade. Apesar da cultura de consumir quadrinhos ainda ser muito forte, e principalmente passada até hoje de geração em geração, o que foi criado pela Marvel nos cinemas veio sem exigências de leitura das histórias para um bom entendimento do que acontece nas telas, tornando possível o início de um carinho para com os filmes como seres independentes, criando um público único entre aqueles que carregam os gibis e os que apenas assistem as produções.

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O mais importante dos padrões criados pela Marvel nos cinemas apareceu cedo, através da direção de Jon Favreau e da inigualável atuação de Robert Downey Jr. em “Homem de Ferro”, sendo ele a genuína humanização dos personagens. Exemplos podem ser encontrados em todos os filmes, como Visão em “Capitão América: Guerra Civil”, que por pouco não mata Rhodes, ou até mesmo o gênio Tony Stark que quase destruiu a Terra com Ultron. Em um universo onde até mesmo os heróis mais poderosos conseguem transmitir uma aura de empatia e, principalmente, errar em algumas situações, fica mais natural a identificação com o público. Os heróis crescem a cada batalha, a cada erro e a cada caminho tomado, sendo assim a essência da linha temporal da Marvel o seu próprio amadurecimento, claramente perceptível entre um filme e outro.

A humanidade em comum presente em cada um dos heróis que torna possível o perfeito funcionamento de algo como “Os Vingadores”. A junção de Thor, Hulk, Viúva Negra, Gavião Arqueiro, Homem de Ferro e Capitão América, feita por Joss Whedon, hoje pode ser vista como épica através da nostalgia. No lançamento do primeiro filme onde os heróis finalmente se encontram, em 2012, o mundo já estava familiarizado com seus rostos e personalidades, e esse foi o motivo do sucesso nas bilheterias. O encontro entre heróis já conhecidos é muito mais aguardado do que aqueles que simplesmente aparecem, aleatoriamente, para salvar o mundo. Em “Os Vingadores” também foi a primeira vez que o real objetivo da Marvel se tornou mais claro, e bem mais ambicioso. Nesse ponto, o sucesso que já era inédito começou a ser admirado e observado de perto.

Bastidores das filmagens de “Homem de Ferro”, em 2017. Foto: Reprodução

Desde então não houve mais dúvidas de que tudo estava realmente conectado. Nada era coincidência, e todas as referências eram muito bem armazenadas. As tão aguardadas cenas pós créditos indicavam que algo épico estaria se aproximando, tornando mais difícil a vida dos funcionários dos cinemas para limpar as salas após as sessões, já que todos aguardam até o último minuto por uma simples dica do que está por vir. Essa linha temporal criada pela sequência de filmes que, mesmo quando um está mais solto, sempre tem algo a acrescentar, define que além de um sucesso, a Marvel também criou um risco sem precedentes.

“Vingadores: Guerra Infinita” é o resultado de tudo o que foi apresentado e incentivado desde “Homem de Ferro”. Joe e Anthony Russo moldaram uma nova forma de transformar um universo cinematográfico, já feita em “Capitão América: O Soldado Invernal” e “Capitão América: Guerra Civil”, chegando ao seu ápice no mais novo lançamento. Para completar, os heróis da Terra criam uma integrante mistura com os brilhantes Guardiões da Galáxia e todo o espaço criado por James Gunn. O filme já seria ambicioso por unir todos os heróis da franquia nas telas, mas se tornou ainda mais grandioso por colocar Thanos, o vilão que todos esperavam para ver em ação desde “Os Vingadores”, como personagem principal. Surpreendendo, mesmo quando o inesperado já era esperado.

Mas, o que faz o estúdio funcionar não está na ambição de colocar um vilão como protagonista, na valentia em criar uma nova forma de apresentar um blockbuster, como feito no esplendoroso “Pantera Negra”, ou na qualidade em amadurecer os personagens através dos filmes. O segredo do sucesso da Marvel, que também elimina qualquer concorrência, é a impecável paciência. O equilíbrio em idealizar um universo completo em 2008, sem certeza alguma de funcionamento, e vê-lo em sua forma completa em 2018. A falta de urgência em estar no mercado foi justamente o que fez o estúdio ser a franquia mais rentável do cinema. A maior bilheteria de abertura da história representa mais do que uma conquista para “Vingadores: Guerra Infinita”. É o asseguramento de que o futuro da Marvel será bem vindo, enquanto seu passado já fez história ao marcar uma geração, reformulando histórias de super-heróis e as transformando em clássicos populares.