“Vingadores: Guerra Infinita” é um ato inesperado de ambição cinematográfica e deixa a Marvel no ápice das produções de super-heróis

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Iniciado no ano de 2008, o Universo Cinematográfico da Marvel pensava no sucesso a longo prazo. Além dos grandes riscos que a equipe de produção de Kevin Feige correu, existia também a incerteza que cercava o funcionamento da corajosa ideia de reunir todos os super-heróis do estúdio em um filme, criando uma linha temporal singular e sem falhas. O risco é enorme, mas após o lançamento de “Vingadores: Guerra Infinita” fica fácil afirmar que a ideia não apenas foi executada da melhor maneira possível, mas como também esse ato de ambição cinematográfica poderia ser exercido apenas pela Marvel Studios. O filme possui uma grandeza única, e faz com que todos os elementos já conhecidos dos filmes anteriores cheguem ao seu ápice. Sua tamanha imprevisibilidade consegue completar os dez anos do Universo revolucionando o cenário de filmes de super-heróis.

“Vingadores: Guerra Infinita” é, em primeiro lugar, surpreendente. A trama faz algo que nunca foi feito em um filme do gênero ao colocar o vilão como personagem principal da história. O roteiro apresenta o personagem como um protagonista disciplinado, deixando suas inseguranças e reais objetivos expostos pela primeira vez, mas sempre com muita calma e serenidade. É possível analisar Thanos e compreender o que ele acredita ser seu propósito: encontrar as seis Joias do Infinito para equilibrar o universo, destruindo metade dele. Apesar de ser um motivo perturbador, também consegue ser cativante o suficiente para que o público compreenda que ele não está simplesmente sendo um vilão que, aleatoriamente, deseja destruir tudo o que vê.

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A divisão das equipes acontece cedo, e a escolha do que mostrar e em qual momento realizar a mudança dos cenários conseguiu ser feita sem deixar a trama confusa ou lenta. Enquanto parte dos super-heróis ficam na Terra, em Wakanda, para proteger o Visão com a Joia da Mente, Homem de Ferro, Homem-Aranha, Doutor Estranho e Senhor das Estrelas com parte dos Guardiões da Galáxia tentam manter a luta com Thanos no espaço, criando uma das cenas de batalha mais estonteantes da Marvel no cinema. As ótimas atuações colaboraram para a criação das novas relações entre os personagens, como entre Chris Pratt e Benedict Cumberbatch, e a continuidade das já apresentadas, sendo o caso de Robert Downey Jr. e Tom Holland.

O desmembramento dos Vingadores é brilhantemente bem conduzido, possibilitando a realização de admiráveis cenas de ação com os heróis que até então não haviam trabalhado em conjunto, encantando o público ao mostrar que esse é o ponto mais alto em um crossover do gênero. A evolução dos heróis é fantástica, com a de Thor levando um maior destaque. O deus do trovão cresce ainda mais que em “Thor: Ragnarok” e atinge sua melhor forma através de suas angústias pessoais, tornando-se uma peça decisiva no filme. Apesar do grande número de personagens no enredo, todos têm o seu momento de brilhar, e o peso que cada um carrega pode ser captado em diálogos certeiros que não precisam explicar cada detalhe que passou entre os acontecimentos decisivos de “Capitão América: Guerra Civil” e o atual Vingadores.

O impacto que o vilão causa ao longo do filme é sentido em todos os núcleos, e cada um apresenta uma reação única, de acordo com quais personagens estão em cena, possibilitando a demonstração de cada personalidade individualmente, algo que colabora para as encantadoras referências e o humor sublime e característico do estúdio continuar tão divertido e natural ao aparecer através dos heróis certos. Isso é possível pelo impecável roteiro de Stephen McFeely e Christopher Markus, e pelo maravilhoso trabalho da direção de Anthony e Joe Russo, que além de mudarem mais uma vez todo o cenário da Marvel, também transformaram o conceito de um blockbuster heroico.

“Vingadores: Guerra Infinita” possui um vilão como protagonista e um roteiro centralizado em batalhas de tirar o fôlego, mas nada se compara ao abalo emocional criado pelo inesperado final do filme, que superou todas as expectativas ao realmente colocar um ponto final na história que, nesse ponto, já é possível afirmar que pertence a Thanos. Toda a expectativa criada por dez anos conseguiu ser superada por um filme que é muito mais do que as teorias poderiam alcançar. Sabemos que o ponto final na realidade é apenas um ponto e vírgula, mas o interessante é saber que, caso esse fosse realmente o fim, a Marvel já teria feito seu papel em revolucionar a indústria de filmes de super-heróis.