A interessante e irreverente história da criação do humor negro nos Estados Unidos através da National Lampoon presente no ótimo “Fútil e Inútil”

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Apresentando o besteirol no sentido literal para a realidade, “Fútil e Inútil” é uma comédia biográfica. O filme original da Netflix conseguiu contar com autenticidade uma história verdadeira sobre pessoas que realmente parecem sair de filmes fictícios de comédia americana. Se trata de uma ideia que foi criada por Doug Kenney e Henry Beard, durante a faculdade em Harvard. Quando deveriam ter escolhido uma carreira para cursar, os dois amigos geniais decidiram seguir com a revista que já criavam no campus, a National Lampoon. Esse feito se tornou a primeira revista de comédia dos Estados Unidos, mas, além disso, criou um novo gênero para um humor que hoje chamamos de humor negro.

A história biográfica já seria interessante pela sua representação na cultura do entretenimento mundial, mas alguns elementos ajudaram o filme a ser ainda mais cativante. Existe um narrador, sendo ele uma versão mais velha de Doug Kenney, que interage com os personagens e cenários para contar a história e explicar momentos que poderiam passar despercebidos ou detalhes que não poderiam entrar na narrativa normal. O roteiro de John Aboud e Michael Colton não precisa de piadas para fazer o público rir. O humor negro natural presente na história real de sua própria criação nos Estados Unidos já consegue divertir o telespectador. Além disso, as ótimas atuações, principalmente dos protagonistas interpretador por Will Forte e Domhnall Gleeson passam a credibilidade necessária para lembrar o público de que se trata de um filme biográfico.

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É fascinante descobrir como o humor negro foi inserido aos Estados Unidos e observar a reação que ele obteve logo no início. Essa forma de comédia se espalhou pelo mundo e persiste até hoje. É fácil afirmar que muitas coisas continuam da mesma forma até os dias de hoje, principalmente a intolerância quanto ao gênero por parte de pessoas e empresas que se recusam a fazer parte de piadas. O humor inconvencional criado por Doug Kenney na National Lampoon foi tão bem recebido por um público e tão desprezado por outro que se tornou sucesso absoluto, mas o mais importante foi deixado em seu legado que não é diretamente ligado à revista: inspirado na essência da National Lampoon, o maior programa de comédia dos Estados Unidos foi criado – o Saturday Night Live.

O desfecho fica por conta do clichê que determina o trágico fim de artistas e empreendedores dos tempos passados que deixaram o ego aparecer mais do que o trabalho. É interessante observar como os elementos criados especialmente para o filme, como o próprio narrador, interagem com os fatos reais, tornando a trama diferenciada. Porém, o filme não deve ser julgado pelo seu fim, mas sim pela importância da criação da National Lampoon para o entretenimento como um todo, acrescentando o clássico humor negro americano e, obviamente, o formato de história biográfica fora do comum.