A superficial comparação de charts na banal categoria de “ex acts” que está espalhando um falso significado do “ser fã”

0
69

Uma parte considerável do gênero pop na indústria musical é feita por artistas jovens que apresentam uma nova voz para o popular dos anos 2000. Muitos desses exemplos que estão em seus vinte e poucos anos começaram suas carreiras com um formato de séries televisivas, que veio a fazer muito sucesso ao ser introduzido pela Disney Channel e Nickelodeon. Os programas chegaram ao fim e nomes como Demi Lovato, Selena Gomez, Ariana Grande e Miley Cyrus deram início à parte profissional da música em suas vidas. Felizmente, os quatro exemplos citados amadureceram o suficiente para chegarem no presente com suas melhores versões artísticas, criando seus próprios trabalhos e levando apenas o aprendizado do começo de carreira.

Porém, o cenário musical em que tais artistas foram inseridas acabou deixando a música em segundo plano e colocando apenas posições no charts como objetivo. Esse erro foi criado pelos próprios consumidores da indústria fonográfica – sendo eles os fãs. É óbvio que posições nas paradas são influentes para apontar carreiras de sucesso e ajudam o reconhecimento dos nomes dos artistas, e essas informações certamente os deixam alegres, afinal representam uma aceitação do público. Mas o ponto principal está sendo esquecido, e justamente por pessoas que se dizem admiradoras de tais artistas. “Fãs” aparecem todos os dias em inúmeras brigas na internet envolvendo comparações de vendas e posições nos charts, apresentando argumentos que insinuam que, se seu artista favorito não possui tal posição ou tal feito, ele não é talentoso.

Leia também: A ridicularização das vidas pessoais dos artistas através da criação de falsos casais dentro dos grupos

Aparentemente, comparar vendas se tornou o motivo principal para certos fãs serem fãs em primeiro lugar. Números e posições são motivos para admirar uma pessoa, enquanto a música foi deixada de lado. Nessas discussões diárias envolvendo a categoria banal de cantoras que já foram atrizes, ninguém se preocupa em ao menos pesquisar se a única ex act a conquistar algo – que nem ela provavelmente se importa – ao menos escreveu a canção que está em primeiro lugar, ou então apontar os produtores e as influências sonoras que tornaram a faixa tão especial. O momento onde a música é ainda mais esquecida aparece quando as comparações de vocais são feitas por pessoas que agem como peritos em canto, afirmando que apenas quem consegue atingir as maiores high notes possui qualidade, ou então quem consegue cantar “sem gritar”. Tudo gira em torno do ato de ser um falso representante de um artista para comprar suas brigas e defendê-lo, não importa o que aconteça.

O “ser fã” deixou de ser o ato de apoiar alguém e sua arte e passou a ser enfrentar brigas que o próprio artista provavelmente não aprovaria, afinal se trata de dois lados errados comparando, muitas vezes, seus feitos com os de algum amigo pessoal. Posições nas paradas são importantes, mas definitivamente não são os fatores principais para os artistas – e, consequentemente, não deveriam ser para os fãs. O melhor modo para provar esse ponto é apontando vários artistas e grupos que são diariamente controlados por suas gravadoras, sem conseguir formular uma frase sem serem censurados. Tais pessoas certamente possuem várias listas de charts com seus nomes no topo, mas no fim do dia nenhum número um pode comprar a liberdade artística e o verdadeiro talento.

A banal comparação numérica de artistas como Demi LovatoSelena GomezAriana Grande e Miley Cyrus é superficial, e seus argumentos insignificantes. Comparar posições é natural e interessante, mas não é o principal. Se fosse para ser definido por algo, o grupo de ex acts deveria ser lembrado por pessoas que cresceram de uma maneira surpreendente na indústria musical, amadurecendo e aprendendo a se tornarem artistas verdadeiras, que compõem e participam das criações de seus trabalhos. Cada uma com seu diferencial, apresentando diferentes potências vocais, afinal a indústria não é feita apenas de high notes. Essas artistas precisam de fãs que defendam sua arte, e não seus números, afinal elas apresentam trabalhos ótimos para diversos públicos que podem se contentar em seguir apenas aquilo que gostam e parar de perseguir aquilo que tanto criticam.