Elizabeth Gilberth vai além da auto ajuda em “Grande Magia” e inspira o leitor apresentando um novo significado à criatividade

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Com capítulos curtos e uma narrativa pessoal que se aproxima de um diário, “Grande Magia” é como uma grande conversa sobre a vida com Elizabeth Gilbert. O conceito da vida criativa é interpretado em todas as crenças de maneiras diferentes, seja como um propósito, um segredo ou um sonho. Porém, no livro tal conceito é apontado de uma maneira menos complexa, se resumindo ao resultado de uma escolha. A autora ressalta várias vezes que é possível viver uma vida criativa em qualquer sentido, mesmo sem possuir uma profissão ligada à arte – sendo ela “uma vida mais motivada pela curiosidade do que pelo medo“.

O livro é dividido em seis partes: Coragem, Encantamento, Permissão, Persistência, Confiança e Divindade. Essa separação é feita como passos a serem dados em busca de uma resposta, e a cada capítulo uma nova descoberta é feita, sendo impossível não estar completamente imerso na própria criatividade e inspirações ao seu fim. Apesar de ser enriquecedores, tais conselhos podem não se aplicar às pessoas que já possuem a criatividade como um norte. A obra possui dicas inspiradoras para se iniciar uma vida criativa, por isso é mais indicada para aqueles que ainda estão com medo de dar um primeiro passo.

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Em meio aos capítulos que transmitem o objetivo principal do livro, Elizabeth Gilbert comenta como alguns artistas debocham de suas vidas criativas. A autora possui um ponto de vista muito interessante em relação à criação da arte. Ela critica a romantização criada em torno do sofrimento do artista – uma ação executada por muitos que dizem que só conseguem atingir sua criatividade no fundo do poço, com muito sofrimento, álcool e drogas. Elizabeth afirma que a vida criativa não é isso, muito menos a criatividade em si, afinal verdadeiros artistas conseguem criar sua arte sem romantizar a dor. Dessa forma, a vida criativa fica mais acessível e fácil de ser iniciada ao leitor.

As situações verdadeiras vividas pela autora nem sempre são felizes. Na realidade, a maioria dos exemplos pessoais de Elizabeth vêm de momentos difíceis e de um aprendizado quando eles chegaram ao fim. Seja pela falta de dinheiro ou pela dificuldade em escrever um novo livro, esses cenários reais inspiram o leitor a criar uma leveza ao lidar com momentos não agradáveis. Porém, o mais interessante a ser notado após o fim do livro é o fato de que ele foi escrito de acordo com os pensamentos e opiniões da autora. Desse modo, o leitor irá concordar com algumas coisas e discordar de outras, mas de qualquer forma irá ser instigado a criar uma auto reflexão sobre sua vida, pontos de vista e até mesmo sobre o que fazer com sua vida criativa.

“Grande Magia” vai além de uma obra de auto ajuda que procura esclarecer certas coisas. O livro instiga o leitor a buscar a resposta dentro de si, afinal, na maioria das vezes, ela não está tão escondida. Uma melhor definição seria um empurrãozinho para aqueles que passam seus dias em um emprego que não os agrada ou com medo de ao menos começar a escrever aquele livro, fazer aquele filme, pintar aquele quadro, ir para aquela faculdade ou começar aquele empreendimento. Elizabeth Gilbert não irá ensinar o leitor a vencer seus medos e conquistar o sucesso, mas certamente irá inspirá-los a ao menos tentar viver da maneira que desejam – e isso é a vida criativa.