Com composições delicadas e ritmos singulares integrando o vulnerável “Camila”, Camila Cabello cria sua própria harmonia ao se tornar uma artista

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Não há melhor forma de começar a ouvir o primeiro álbum solo de Camila Cabello se não apreciando seu nome nos créditos de todas as composições. Dessa forma, cada canção é apreciada e compreendida como parte da artista – que agora realmente merece carregar tal título. Ao contrário da maioria dos debuts albuns de estrelas em ascensão dos dias atuais, o conceito do “Camila” não gira em torno do pop chiclete criado por terceiros. Acompanhada de vocais roucos, singulares e em seu melhor controle, a essência da cantora está presente em cada uma das dez faixas, e ao ouvi-las, é possível dividi-las para as duas personas presentes no clipe de Havana. Se trata da personalidade da cantora dividida em latina extrovertida e romântica. É, de fato, encantador conhecê-la dessa forma.

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A representação ideal de início fica com “Never Be The Same“. A simples frase que serve de título representa a liberdade e coragem da artista ao ter se desvincilhado de uma versão passada de si mesma, seja no relacionamento amoroso implicado na canção ou pelo que as quatro palavras devem significar em sua carreira – sendo essa a apresentação da verdadeira Camila. “All These Years” introduz uma segunda categoria do disco, sendo essa a que representa as baladas muito bem produzidas e escritas. Além disso, sua ótima produção envolvendo uma guitarra acústica a diferencia de qualquer outra. O potencial hit “She Loves Control“, co-produzido por Skrillex, reúne a sonoridade de suas origens latinas com um pop singular, assim como em “Havana“. Apesar da essência da cantora estar em suas composições, deixando os ritmos apontarem com liberdade para qualquer direção que a convém, a junção do som latino com tal pop de qualidade fará com que uma nova febre seja criada na indústria.

Seguindo por “Inside Out“, o ritmo latino que vai além do reggaeton é muito bem inserido, com um tom de diversão. As três canções seguintes, “Consequences“, “Real Friends” e “Something’s Gotta Give” transmitem uma honestidade impressionante, e são como uma longa conversa que transmite um sentimento de empatia pela delicadeza das composições que apenas uma artista verdadeira poderia criar. “In The Dark” volta para o pop apresentado na primeira faixa, mas com a composição tão poética e honesta quanto suas baladas. O “Camila” é finalizado com alto astral, em uma versão atrevidamente divertida da cantora, que co-escreveu a canção com o genial Ryan Tedder. Juntos, criaram um perfeito final para um álbum sem falhas, que não leva apenas uma sonoridade ou um modo de compôr, mas sim a essência de uma artista que une a junção de vários elementos, que quando escritos e cantados pela mesma, se tornam únicos.

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A balada que tem o piano como instrumento principal, “Consequences”, é um lembrete no meio do álbum de que o talento de Camila não está em apenas conseguir criar seus próprios hits latinos. Sua percepção única para transformar seus pensamentos secretos em canções serve para o lado menos alegre do disco, direto para as faixas melódicas. Camila provou ser uma compositora incrível ao entregar as baladas de imensa qualidade que não estão ali apenas para desacelerar o ritmo do disco, mas sim porque significam algo. Em uma genuína vulnerabilidade, sendo a maior exposição da cantora no álbum, a imaginação do ouvinte deve fluir se quiser tentar compreender o sentido de tais canções. Porém, fica claro que colocar de maneira explícita os significados da canção não é o objetivo do “Camila”, mas sim a identificação de sua audiência, para que a mesma consiga adaptar as palavras autorais de Camila e encaixá-las em suas vidas.

É interessante celebrar a incrível equipe que Camila conquistou com o seu talento, que respeita suas decisões e a ajuda a criar um plano de carreira que a torna uma popstar que faz mais do que ser uma estrela, onde pode adicionar baladas acústicas como “All These Years”, “Consequences” e “Real Friends” em seu disco. O mesmo serve para o trabalho de Frank Dukes, produtor executivo do CD, que conseguiu captar a essência de Camila e transformá-la em melodia. Camila não precisa de super produções e pessoas renomadas em suas composições para fazer sucesso, o único nome necessário nos créditos de seu álbum é Camila Cabello, e apenas com a sua essência e honestidade a cantora e compositora conseguiu superar todas as expectativas ao apresentar seu disco. É fascinante observar sua introdução na indústria, principalmente por simbolizar o sucesso de talentos verdadeiros e provar que o cenário musical não precisa mais de contratos controladores e celebridades que vestem máscaras de artistas enquanto uma equipe de compositores escrevem tudo o que devem cantar. Mais intrigante ainda é saber que Camila conseguiu acertar de tal maneira, apresentando um trabalho honesto e de qualidade, logo no debut album – que deve ser um dos melhores do ano.

Camila é vulnerável, divertida, e para finalizar, um pouco provocativa. A mistura de uma garota apaixonada com alguém que sabe exatamente o que quer. A era não se resume a mais um passo, mas sim o verdadeiro começo de sua carreira como uma artista. Mas, acima de tudo, Camila é ela mesma, pela primeira vez. Assim como escrito em “Something’s Gotta Give”, nenhuma razão para ficar é uma boa razão para ir. E felizmente Camila foi, com autenticidade e coragem para encarar uma carreira que não gira em torno de canções convencionais. No caminho, a cantora se tornou uma compositora, e em consequência, uma artista, criando sua própria harmonia exposta no “Camila”.


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  • Silvana Bessa

    Que CD maravilhoso. Estou encantada.