Através de uma incrível super produção, Demi Lovato atinge seu completo potencial artístico em “Tell Me You Love Me”

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Demi Lovato finalmente encontrou um ritmo que é funciona como par perfeito para sua voz. O R&B mais popular apresentado em “Tell Me You Love Me” é sem dúvidas o caminho que a cantora deve continuar seguindo para se firmar na indústria como artista e não apenas como uma antiga atriz de um programa televisivo. Através do single que leva o mesmo nome do álbum, é possível identificar a sonoridade desse novo capítulo da carreira de Demi Lovato. Além disso, a canção consegue resumir perfeitamente a essência dessa história que acabou se tornando a melhor fase de sua carreira musical.

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A canção por si já está na lista das melhores músicas do álbum. Sua produção serve como referência às outras faixas, e é o limite perfeito que mostra até onde a mistura entre o R&B e o pop pode funcionar. Porém, a influência gospel no uso de um coral é o que diferencia a música de todas as outras do disco, dando à ela um elemento essencial para contagiar o ouvinte. O clipe conseguiu representar esses detalhes para o visual, e além disso deu a oportunidade ao telespectador de criar uma interpretação individual para a composição, que não fica tão clara assim. O fato do vídeo ser apresentado pela Safehouse e Island Records dá a entender que a financiadora dessa produção foi a própria gravadora da cantora, que parece estar apostando em sua carreira como nunca. Tal apoio foi importante para deixar a produção impecável, fazendo com que os cenários e figurinos ajudassem na criação desse significado misterioso de “Tell Me You Love Me”.

Mas o que realmente dá vida à música são as cenas que iniciam o clipe, onde Demi e Jesse Williams interpretam um casal em uma relação não tão saudável assim, em que constantes discussões são feitas e uma dependência é apresentada – afinal mesmo com as brigas, um pedido de casamento é feito. Nesses momentos é possível notar o incrível trabalho do diretor Mark Pellington, que consegue mostrar as reações de ambas as partes entre essa mistura de conflito e romance. É praticamente como se, em dois minutos, dois personagens e suas histórias fossem bem apresentados em um filme. Já as cenas do casamento propriamente dito podem realmente ser chamadas de cinematográficas, levando em conta que sua fotografia – ao focalizar nos rostos dos noivos, usando um pouco de câmera lenta – é muito similar a do cinema.

Apesar de ser ótima e essencial para o roteiro do clipe, a reviravolta poderia ter ganhado mais atenção, principalmente nas cenas que a seguem, com Demi em um quarto, olhando para um espelho e dizendo para si mesma que “tudo o que eu preciso, está parado bem na minha frente, eu sei que vamos ficar bem”. De qualquer forma, tornar o clipe inteiro em uma mensagem de amor próprio seria forçado e tiraria o significado da canção, portanto esse detalhe pode ser deixado de lado, colocando como foco a incrível produção que tornou o clipe um dos melhores do ano – que, aliás, poderia muito bem ter uma continuação em um futuro single, afinal o roteiro de superação poderia se encaixar em músicas como “Cry Baby” e “You Don’t Do It For Me Anymore“.

O clipe torna a canção ainda mais grandiosa e relevante na indústria. Apesar de ter feito o álbum pensando exclusivamente no Grammys, a cantora conseguiu algo que consegue valer mais do que uma indicação ao maior prêmio da música. Se trata de confiança para apresentar um trabalho autoral tão pessoal que vem a servir como realização pessoal.