A verdadeira noção da arte genuína sem ligação à imagem que foi apresentada por Alessia Cara no VMAs

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Talentos podem aparecer de várias formas na indústria musical, porém o de Alessia Cara se enquadra em uma categoria que está quase vazia. A arte presente na cantora é tão genuína que chega a ficar deslocada quando colocada perto de outras um pouco mais fantasiosas, como aconteceu no VMAs 2017. Em um palco onde na maioria das vezes a mentira é o que agrada e o talento é deixado de lado, Alessia é uma das raras exceções que conseguiu chegar até a gigante premiação da MTV apresentando nada mais do que sua verdadeira essência. Esse espaço é difícil de ser conquistado, e no caso, absurdamente merecido.

Infelizmente, a performance de “Scars To Your Beautiful” conseguiu apenas dois minutos para ser executada, enquanto outras que não passaram nada mais do que uma mensagem de falsa superação nas custas de outra artista e um ato desrespeitoso obtiveram quatro minutos. A injustiça seria grande se ao menos houvesse justiça em premiações como essa, mas como não há, qualquer comparação de Alessia com terceiros fica por aqui, afinal seria indevido estabelecer uma relação entre um ótimo trabalho apresentado mesmo com uma performance extremamente curta e a música cortada pela metade com qualquer outra pessoa que recebe o título de artista apenas por uma imagem que é passada.

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A simples execução da música conseguiu retratar sua mensagem de maneira perfeita, reafirmando a todos os ouvintes que são lindos exatamente do jeito que estão, sem ser necessária mudança alguma. Não é uma questão de ser melhor com ou sem maquiagem, vestindo uma roupa glamourosa ou uma calça jeans com camiseta, mas sim de permanecer fiel a si mesmo e compreender que o único padrão de beleza que deve ser considerado é o seu próprio. No curto espaço de tempo disponibilizado, Alessia Cara conseguiu passar a letra da canção não apenas para o público mas também para os artistas ali presentes – sendo esses os que mais precisam compreendê-la.

A noção de artista nos dias de hoje está absolutamente ligada à uma imagem que deve ser criada e cultivada. Alessia apresentou um lembrete de que artista é aquele que faz arte, não quem possui os melhores visuais e prêmios nas prateleiras. A arte está diretamente ligada àquele que o produz, sendo a imagem do próprio artista através de seus sentimentos e valores em suas músicas a única que deveria ser mostrada e levada em consideração. Vestidos, brincos e ternos são lindos e divertidos até certo ponto. A questão não é julgar quem usa tais adereços para construir uma imagem em uma premiação, mas sim mostrar que essa figura montada deveria ser apenas uma forma de expor o que realmente importa: As criações do artista. Portanto, caso o suposto artista não tenha criado nada para apresentar além de sua imagem, sua presença é inútil.

Apesar de ser algo que está caminhando em um ritmo lento em um cenário que vai contra essa ideia de que a imagem realmente não importa, o progresso está sendo feito. Artistas novos e talentosos surgem todos os dias, sendo praticamente impossível ignorá-los. Dois minutos é um tempo extremamente abaixo do que “Scars To Your Beautiful” merecia, mas quando uma voz tão bem apresentada é unida à uma causa, esses poucos minutos acabam virando o suficiente.