O amadurecimento musical da The Vamps em “Night & Day” que deve ser admirado e não julgado com antecedência

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O ritmo que um artista apresenta em um álbum é na maioria das vezes considerado mais importante do que as próprias composições. Esse pensamento um tanto quanto estranho insiste em focar no trabalho de um produtor que não tem o nome na capa do álbum e que foi escolhido para dar voz às palavras – sendo que essas sim devem ter o mesmo nome da capa nos créditos. O público no geral aparenta estar tão despreocupado em entender o que seu artista favorito faz que, mesmo quando as composições estão ótimas e representam algo verdadeiro, tudo o que é julgado é o ritmo. Obviamente que todo o processo criativo de uma música deve ser apreciado, mas levando em conta a admiração pela pessoa, é necessário reconhecer aquilo o que ela faz.

The Vamps está prestes a lançar seu terceiro álbum de estúdio, “Night & Day“, porém algumas críticas estão surgindo na internet antes mesmo do conteúdo ser liberado apenas pelo fato dos singles divulgados até então estarem completamente diferentes de tudo o que já foi apresentado pela banda anteriormente. O ponto a ser ressaltado é que a mudança não é algo errado em hipótese alguma – ela pode ser desnecessária se estiver visando apenas as paradas de sucesso? Claro. Pode ser ridícula se não foi criada espontaneamente pelo próprio artista mas sim a pedido de uma gravadora? Sem dúvidas. Mas esses casos definitivamente não se aplicam na situação.

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A banda que lançou apenas dois álbuns está sendo julgada por adicionar ritmos eletrônicos em três faixas já liberadas. Três faixas que foram compostas pelos quatro integrantes da banda, sendo que uma delas, “All Night“, possui a produção de Tristan Evans – baterista do grupo. Essas poucas informações já deveriam ser mais do que o suficiente para provar que o talento genuíno da banda continua presente.

Além disso, aparentemente, será a primeira vez que todas as músicas presentes em um álbum da banda (Edição Night) terão sido escritas por eles. A expressão artística presente na The Vamps é tão forte ao ponto deles conseguirem colocar suas próprias palavras em um ritmo que é associado apenas à vendas. Mas vale lembrar que esse tão abominado ritmo está presente em apenas algumas das canções (já que “Paper Hearts” e “Stay” são mais acústicas e “It’s a Lie” possui um ritmo mais latino) de apenas UMA das edições do álbum – essa que por sinal está sendo feita para a Noite, ou seja, algo mais animado, afinal você não vai encontrar um álbum acústico tocando em um clube noturno.

Aparentemente, o ritmo diferenciado que deveria ser levado como uma renovação e algo bom, principalmente para os fãs, está sendo visto como uma mudança drástica apenas para vender. Esse argumento pode ser vencido com a simples explicação de que: é para vender sim! Os quatro integrantes do grupo possuem um trabalho como qualquer outro, por que serem os únicos a pararem no tempo e criar algo que não seria comercializado? O diferencial da banda é que eles não estão ali apenas para as vendas, ou então continuariam com o estilo do primeiro álbum, agradando a todos os fãs, ou em outra hipótese poderiam comprar músicas prontas destinadas ao sucesso.

the vamps

Coldplay com The Chainsmokers, Alessia Cara e Zedd e Selena Gomez e Kygo são apenas alguns exemplos de artistas que se juntaram à DJs para elaborarem faixas diferenciadas – qual o motivo de enviar esse julgamento estressante apenas para The Vamps? “Night & Day” está sendo um trabalho excepcional sem nem ao menos ser lançado. Dividido em duas partes, ele tem o objetivo de apresentar músicas para a noite (dançantes e divertidas) e para o dia (inspiradoras), tudo isso levando a identidade da banda, aquela mesma de sempre, apresentada no “Meet The Vamps”. Essa identidade não será mudada pela adesão de ritmo diferente nas canções, afinal ela está nas composições e expressões do artista e não deve ser julgada pelo detalhe que o artista em si, na maioria das vezes, nem ajudou a criar – no caso, a produção.

The Vamps continua sendo a mesma The Vamps que iniciou a carreira, lá no primeiro álbum. A diferença é que essa mesma banda amadureceu e criou novas formas de ser inspirada, adaptando a maneira como essa inspiração é passada para o papel até virar o que iremos ouvir no “Night & Day”. Mudança não é algo que deve ser temido ou julgado, muito pelo contrário. O que falta não é originalidade para The Vamps, mas sim o entendimento da parte dos fãs de que seu artista favorito não se baseia apenas no gosto musical daqueles que escutam a banda há muito tempo. É preciso dar o mesmo apoio que é dado para artistas maiores para os menores, afinal eles não têm a obrigação de ficarem presos em um ritmo apresentado em 2014 porque algumas pessoas não conseguem aceitar seu amadurecimento. Enquanto o grupo estiver criando seu próprio trabalho, seja lá com qual acompanhamento musical for, ele merece ser apreciado de todas as formas.


Vale a pena lembrar que você pode ouvir todo o talento da The Vamps presente no “Night & Day” ao vivo em São Paulo, no dia 17 de Setembro. Clique aqui para mais informações e para comprar o seu ingresso.