Discurso pessoal sobre saúde mental de James McVey promove a necessária honestidade por parte dos artistas

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Nos tempos antigos, artistas eram pessoas com talentos específicos que poderiam ser contratadas para algum tipo de serviço. Eles não eram “ídolos” de ninguém e não recebiam gritos ao saírem nas ruas – eram simplesmente pessoas com um trabalho diferenciado, ou, em outras palavras, sujeitos sortudos o suficiente para ganharem dinheiro com aquilo que gostam de fazer. Com o passar do tempo, o trabalho de tais artistas foi ficando globalizado, essas pessoas que transmitem seus sentimentos para uma arte viraram mundialmente reconhecidas nas televisões, rádios e, principalmente, na internet. Hoje em dia é fácil entrar em uma rede social e encontrar um artista, que por mais que more do outro lado do mundo, produz algo que você goste. Acredito que seja essa a melhor função da internet: aproximar pessoas que, sem ela, provavelmente nem iriam se conhecer. Porém, algo foi perdido nessa linha do tempo.

Nos tempos atuais, artistas continuam sendo pessoas com talentos específicos que podem ser contratadas para algum tipo de serviço. A única diferença é que eles têm a oportunidade de receber um reconhecimento rápido e mundial. Mas, se as pessoas que produzem arte atualmente são como as pessoas que produziam arte antigamente, por que tratá-las de maneira diferente?

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James McVey, guitarrista da banda The Vamps, deu uma entrevista a um programa de rádio britânico onde comentou sua saúde mental pela primeira vez. James afirmou que durante a passagem pela América do Sul no ano passado, estava confuso, e não sabia ao certo o que sentia e por quê sentia. Ele também disse que pensou em sair da banda, pois aquilo não fazia mais sentido para ele. Esse é o ponto principal: empatia. Desde quando um pedido de follow no twitter se tornou mais importante do que uma simples pergunta para saber como o outro, que é tão ser humano quanto você, está?

Talvez a falta de empatia de seus admiradores não tenha sido a razão pela qual ele se sentiu solitário em meio a multidões de pessoas que clamam amor a ele, mas acredito que o acréscimo dela em sua rotina, até mesmo vinda de desconhecidos, poderia ter ajudado. O exemplo de James é apenas um dos muitos que acontecem e que não é preciso nem entrevistas para saber – foi algo simples porém inspirador o suficiente. Gritar para eles na rua e se desesperar para que ele o siga nas redes sociais são ações absolutamente erradas se não vierem acompanhadas por esse compreendimento de que, longe dos palcos, James é um homem comum que tem suas necessidades assim como qualquer outro. Alguém que precisa ir ao mercado e pagar contas. Alguém que tem sonhos, planos e objetivos e que, muitas vezes, não alcança eles. O fato desse lado pessoal não ser mostrado (e com razão) não significa que ele não exista.

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A sinceridade de James segue a linha da coragem de Justin Bieber que, ao rever suas ações com seus fãs, conseguiu um contato bem mais direto e honesto com eles. Assim como Bieber, James foi essencial para provar de uma vez por todas que artistas são pessoas, assim como seus fãs, afinal antes de serem resumidos ao seu trabalho, são pessoas que possuem conflitos internos e pessoais assim como qualquer outro, e desprezar isso é uma grande ignorância. Dizer nas redes sociais que um cantor é mal educado por recusar uma foto ou passar reto sem conversar é a prova de que muitos acreditam que os palcos são zoológicos e que os artistas que performam neles estão ali apenas para sorrir e agradar – sem sentir, sem ter opiniões e sem ter uma vida fora daquilo. Não estou dizendo que iremos todos virar amigos de Beyoncé e convidá-la para o chá da tarde, a questão é que assim como temos nossos trabalhos, esse é o trabalho deles – o que eles performam nos palcos. Você não se torna uma pessoa diferente por ser um engenheiro, uma arquiteta ou um vendedor, você continua sendo um ser humano com uma profissão.

Claro que é uma tarefa dificílima pedir para todos os fãs de todos os artistas já existentes reverem seus conceitos e motivos para tamanho fanatismo por parte de alguns, afinal apreciar alguém pode vir com esse sentimento incontrolável de euforia, a questão é saber administrar o que e quando demonstrar. Em um show, por exemplo, é óbvio que é preciso pular, gritar e extravasar, colocar para fora toda aquela sensação incrível resultada por uma música, assim como as performances de grandes artistas, não focadas apenas nas canções, que são de tirar o fôlego. Admirar a arte e exaltá-la no momento certo para isso é algo maravilhoso, mas que deve ser contido ao admirar o artista, que no final do dia é apenas mais uma pessoa como James McVey, que muitas vezes possui inúmeros problemas e que sabe que um “Olá, tudo bem?” vale muito mais do que uma falsa história de como um encontro de cinco segundos e um “eu te amo” vazio foi mágico para postar no twitter.