Divide Tour é uma maravilhosa mistura do talento único de Ed Sheeran com espontaneidade e interação com o público

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As expectativas eram altas para o primeiro show de Ed Sheeran em Curitiba. Animar um público de 20 mil pessoas em um frio praticamente europeu com apenas um violão soa como uma missão impossível – ou melhor, uma missão impossível para qualquer outro que não fosse Ed Sheeran. O cantor com apenas seus violões e pedais conseguiu fazer com que as expectativas que já estavam altas fossem sem dúvidas superadas.

O super simpático Antonio Lulic, também amigo de Ed Sheeran, foi o escolhido para abrir os shows da América Latina. Sua semelhança com o próprio cantor principal é relacionada com uma mistura de James Bay e George Ezra – referências em suas músicas autorais e covers apresentados no palco. O cantor possui uma paixão única ao performar suas faixas, e uma gratidão muito expressada por Ed, que o encontrou em um bar onde costumava tocar, de acordo com uma história que o próprio cantor contou no palco. Sua simpatia e felicidade conquistaram o público a atender seu pedido de acompanhá-lo e segui-lo nas redes sociais, além de escutar suas músicas na internet.

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Já o show principal começou assim como a nova era de Ed Sheeran, com “Castle on the Hill“. O público que estava um pouco encolhido pelo frio se aqueceu rapidamente com a presença do cantor no palco, que seguiu cantando “The A Team” e um mashup das ótimas – e favoritas – “Don’t” com “New Man“. Ao chegar em “Dive“, Ed foi logo provocando a plateia ao comentar que a Argentina foi quem cantou a canção mais alto, “Vocês querem superar a Argentina? Preciso que vocês cantem muito alto“. A interação do cantor com as 20 mil pessoas ali presentes acontecia em todos os momentos, seja para pedir para cantar mais alto, bater palmas ou levantar os braços em “Bloodstream” – que teve uma ótima energia com as batidas no próprio violão que capturou a atenção até dos mais distraídos -, mas “Apenas quando eu levantar o meu. Não precisa ficar com o braço levantado se não vocês ficarão cansados“.

A prova da maravilhosa interação de Ed Sheeran com seu público foi o fato dele atender ao pedido da plateia para cantar “Give Me Love“, que é sem dúvidas a mais esperada da Divide Tour inteira. O cantor já estava pronto para performar “Photograph“, mas ao ver os inúmeros pedidos simplesmente falou “Ah, vocês querem Give Me Love? Ok.” e trocou seu violão para tocar e cantar a canção, com direito a mais interação, dessa vez uma antiga, presente nas outras turnês: A divisão do público em dois para criar sons diferentes e fazer uma única harmonia.

As luzes e imagens montadas misturadas com partes ao vivo do show nos telões de LED completam cada faixa, retratando elas de maneira visual, e até mesmo a própria presença de Ed, por estarem posicionados apenas atrás do cantor. Outros maravilhosos sucessos como “Thinking Out Loud“, “Galway Girl” e “Nancy Mulligan” levantaram ainda mais o público, e para completar as surpresas do show, “Hearts Don’t Break Around Here” foi performada pela primeira vez, com exclusividade, em Curitiba. Ao som de muitos “Ed, eu te amo!” ele ficou até constrangido, e definitivamente tímido, mesmo sem provavelmente entender muito o que estava acontecendo. Mas a alegria em seu rosto estava estampada em todos os momentos, músicas e pequenas conversas com os fãs – felicidade que foi completada com alguns “É minha primeira vez em Curitiba, obrigada por me receberem“.

Chegando ao final do show, posso dizer com segurança que os melhores momentos foram nas três últimas músicas. Ao som de “Sing“, a chuva começou a cair e o público a pular a pedido de Ed, que continuou com o famoso ‘ôoo ôoo’ até o cantor voltar ao palco com a camisa da seleção brasileira e uma bandeira do Brasil para performar “Shape Of You” e mais uma surpresa, “You Need Me, I Don’t Need You“. Nesse momento mais animado do show, Ed deixou seu instrumental gravado e andou pelo palco todo, terminando sentado na beirada dele, fazendo seu rap.

A Divide Tour é algo para se inspirar, mas impossível de imitar – seu show em Curitiba realizado com tamanha perfeição mesmo sendo totalmente espontâneo é algo que apenas Ed Sheeran pode arriscar em criar. A interação é um bônus que faz com que todos os shows tenham uma surpresa ou algo que não foi explorado ainda. O cantor consegue exercer sozinho o que muitos grupos não fazem. Além de ser um perfeito compositor e produtor, o que é demonstrado ao vivo leva a mesma perfeição pelo simples fato dele literalmente recriar suas canções ali mesmo, no palco. Apesar de repetir isso milhares de vezes, acredito que é errado dizer “apenas um homem com um violão”, porque nenhum outro homem com violão consegue criar o espetáculo de Ed Sheeran – então pode-se dizer que as maravilhosas produções são reconstruídas do zero por apenas um violão, um homem e um imenso talento que literalmente transformou sua vida em arte através de sua música. Uma prova que não é necessário nada mais do que uma ótimo e sincero talento para arrastar multidões pelo mundo inteiro.