Liberdade e coragem de Camila Cabello expressadas em “Crying in the Club” deve servir de exemplo para falsos artistas

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Uma decisão errada para dar o primeiro passo seguida de alguns anos de um possível arrependimento que levaram até a coragem de fazer alguma mudança. A carreira de Camila Cabello é muito mais simbólica do que parece. Muitos artistas ainda sofrem para expressar o que gostariam através de suas músicas, sofrem por não terem a simples liberdade de escrevê-las e sofrem também por se verem presos em um ponto de acomodação de onde, talvez, não consigam sair. A cantora conseguiu usar todo esse sofrimento causado por um contrato onde ela deveria se vestir, cantar, falar o que não gostaria e ser alguém que não é para dar um basta na situação e seguir para o início da sua carreira – e não o “segundo início”, pois dessa vez é uma carreira verdadeira.

Camila Cabello conseguiu provar com apenas uma introdução, uma música, um clipe e uma carta aberta que vale mais do que seu antigo grupo inteiro por ter a coragem de uma artista para expressar seus sentimentos através da sua arte. Seu primeiro álbum ainda não lançado, “The Hurting, The Healing, The Loving” (O Doer, O Curar, O Amar), já possui uma mensagem tão forte ao ponto de levar o público a compreender um pouco de Camila. O primeiro single, “Crying in the Club“, foi o escolhido para representar a fase de cura – e não há melhor fase para representar a coragem de Camila no momento.

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A faixa composta por Cabello e ninguém menos que Sia é simplesmente fantástica e carrega uma mensagem de superação, como se fosse uma conversa entre a cantora e seu ouvinte, um consolo para um coração partido ou algo que pareça não ter solução. Por outro lado, apesar da composição positiva, a batida com o ritmo forte se mistura nessa felicidade e transmite toda a dor que Camila passou. Durante toda a faixa, é possível sentir a essência de Sia, que acredito que seja muito parecida com a essência pessoal de Camila que escutaremos no álbum completo.

O vídeo oficial tem como introdução “I Have Questions“, outra música presente no álbum – que também acredito que sirva de algum tipo de introdução no próprio CD. As imagens dirigidas por Emil Nava são profundas e retratam todos os sentimentos presos dentro da cantora por todo esse tempo. A sequência de cenas que, apesar de simples, muito complexas, é perfeitamente editada. A transição de “I Have Questions” para “Crying in the Club” é perfeita e claramente simboliza uma passagem de “O Doer” para “O Curar”. Acredito que o vídeo seja como uma mensagem da Camila da segunda música para a Camila da primeira música, criando ainda mais significado para o nome do álbum.

Os passos de dança forçados e até mesmo sexualizados presentes nos antigos clipes onde uma Camila Cabello adolescente acreditava que não podia opinar se esvaíram junto com os vocais exagerados e mal apresentados para dar lugar a algo natural e genuíno. A coragem de Camila deveria ser apreciada e até mesmo servir de inspiração para muitos que se encontram na situação que ela mesma se encontrava antes de seguir com aquilo que realmente acreditava.

camila cabello crying in the club

O primeiro trabalho autoral solo de Camila Cabello é simplesmente maravilhoso, encorajador, pessoal e sincero. A cantora é a prova de que é possível ser um artista com um produto original e mesmo assim criar uma produção ótima para disputar o topo das paradas. Não é preciso ter dois lados: Os dos que escrevem e participam de suas criações e os dos que apenas cantam mas criam hits ótimos. Para ser um verdadeiro artista, é necessário aproveitar a mistura das duas características e utilizar essa mistura em si próprio para criar algo como “Crying in the Club”. Afinal, de nada adianta cantar sem expressar sentimentos, assim como é uma perda de tempo compôr uma música que não pode cantar – e não fazer nada para mudar isso.

Camila Cabello é a simples mistura entre ótima produção e talento genuíno. É a prova de que contrato nenhum pode segurar um talento que luta para ser expressado, e que verdadeiros artistas, por mais que muitas vezes oprimidos, têm a escolha de simplesmente levantar e criarem o que desejam – e se algum artista não ergue sua voz para exercer suas próprias escolhas com a sua própria gravadora, então não passa de uma simples pessoa performando o trabalho de outro alguém, afinal lutar pela liberdade nas redes sociais é fácil, o difícil é sentar, colocar a caneta no papel e escrever uma música que expresse sua verdadeira identidade artística para realmente ser livre. O maravilhoso trabalho de Camila Cabello merece ser apoiado e incentivado principalmente por isso: Por ela ter conquistado sua própria liberdade.

  • Bruna

    Concordo, tive uma grata surpresa com a ausência dos vocais exagerados!