Adaptação musical e amadurecimento da The Vamps para “Middle Of The Night” reflete o talento genuíno do grupo

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A semelhança com o último single da banda, “All Night“, não está apenas no nome. A produção é a certeira do momento: um eletro pop, focado na produção. O incrível novo ritmo feito por Martin Jensen marca “Middle Of The Night“, que possui um refrão contagiante e um pré refrão mais animado ainda, que com certeza será cantado muito alto pelo público durante os shows ao vivo. Porém, por mais que exista a relação entre os dois singles, o segundo não é mais um risco. “All Night” representou um tiro nas estrelas, pois poderia ter sido um fracasso total. Era algo novo para o grupo e novo para a indústria musical. Por outro lado, “Middle Of The Night” terá a chance de levar o nome da The Vamps até o topo novamente, justamente por ter essa semelhança com o single anterior.

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Além do ritmo, “Middle Of The Night” é mais um passo para o amadurecimento da The Vamps, que começou com “All Night”. Uma composição mais sentimental foi colocada junto da batida, o que é interessante e prova que essa mudança está sendo ótima, afinal suas músicas autorais e cheias de suas vidas pessoais estão finalmente sendo divulgadas. Outro ponto que também é impossível ignorar é o incrível controle vocal que o vocalista Bradley Simpson atingiu, sem precisar mudar muito o tom de sua voz para encaixá-la perfeitamente na canção.

Acredito que uma balada como segundo single teria funcionado da mesma forma. Algo mais calmo e que mostrasse a identidade da banda por trás das mudanças das colaborações, porém ainda assim um grande risco. Mas, levando em conta todas as outras músicas de trabalho da The Vamps – aquele pop chiclete e completamente adolescente -, e todas as não-músicas de trabalho da The Vamps – baladas muito bem feitas, com letras bem encaixadas -, é provável que, se o novo single não fosse “Middle Of The Night”, provavelmente arrancaria a banda dos holofotes musicais novamente.

Muitas vezes, as músicas eletrônicas atuais (com participações entre DJs e cantores/bandas), são criadas com uma melodia instrumental, ou até mesmo de forma acústica. O fato da produção eletrônica ter sido adicionada não significa que The Vamps tenha mudado completamente a sua identidade musical apenas para conquistar seu lugar nos charts. É importante a adaptação para artistas flexíveis, assim seu público e reconhecimento aumentam. É muito mais interessante ver uma pequena mudança, que por mais que seja mudança, continua sendo autoral, na forma de divulgação de um trabalho completo, do que continuar na mesma linha em todos os singles mas sem ter a expressão de quem está cantando ou tocando. Em outras palavras, é melhor mudar um pouco para divulgar seu trabalho mas mesmo mudado, ser algo que você fez do que continuar fiel a um ritmo que você nem ajudou a criar.

Ainda espero muitas baladas em seu terceiro álbum, mas por enquanto é possível achar contentamento em algo diferenciado, bem produzido, com ótima composição e ótimos vocais. The Vamps continua sendo uma banda genuinamente talentosa, que cria seu próprio trabalho do início ao fim, e “Middle Of The Night” é apenas um reflexo de tudo isso.

  • Charlie Whiston

    Que review maravilhoso, ponto para o site. A música é realmente maravilhosa, e por mais que siga a modinha tropical, possui toda a identidade dos garotos, o que só a tornou ainda mais perfeita.

    • Eles realmente conseguiram colocar a essência da The Vamps na canção. Que ótimo que gostou, Charlie!