A ridicularização das vidas pessoais dos artistas através da criação de falsos casais dentro dos grupos

3
16

É fato que hoje em dia, infelizmente, as pessoas estão mais preocupadas com prêmios, capas de revistas, charts e notícias do que com aquilo que deveria ser o entretenimento em si. Um filme ou uma música foram substituídos por fofocas de seus próprios admiradores. A pergunta que sempre é feita para os fãs ainda é “Por que você gosta de tal pessoa?”, mas a resposta é o que preocupa: “Porque ele(a) é…”. Essa é claramente a resposta mais rápida que pode ser encontrada, mas quando “o que a pessoa é”, ou “o que ela pensa”, ou até mesmo sua sexualidade começou a valer mais do que suas criações, principalmente se tratando de artistas?

A questão da sexualidade por parte dos artistas é muito importante, ainda mais nos dias de hoje onde todos têm a oportunidade de serem quem realmente são e não serem completamente julgados por isso. O preconceito ainda existe sim, e vem, na maioria das vezes, de dentro das próprias gravadoras e produtoras que impedem a pessoa de até mesmo tocar no assunto. Porém, o que a maioria dos fãs alucinados pelas vidas pessoais de seus artistas ao invés de sua arte não entendem é que muitas vezes, quando algo não é declarado, não quer dizer que esteja escondido.

Leia também: O polêmico modo Justin Bieber de “educar” seus fãs que deveria ser usado por todos os artistas

Esse é o ponto que a maioria dos fãs de One Direction, Fifth Harmony, entre outros… ainda lutam para não compreender. Mesmo que todos os relacionamentos dos integrantes da banda até então tenham sido completamente forjados, armados e feitos por contrato (o que eu já veria como uma atitude absolutamente ridícula, e que resultaria no não merecimento dos fãs) e então um namoro secreto entre Harry Styles e Louis Tomlinson, por exemplo, esteja acontecendo, que mínimo direito qualquer admirador teria de se intrometer a certo ponto na vida de uma pessoa?!

Coloque-se no lugar de seu artista favorito. Você, querendo viver uma vida ótima, sobrevivendo de sua música, por exemplo, porém separando sua vida pessoal – o que é mais do que certo. E então, subitamente, todos deixam de se interessar pelo seu trabalho, aquele que você lutou por anos para ser reconhecido, e começam a procurar teorias, vídeos, fotos e declarações, além de colocar significados absurdos em todos os olhares, toques ou conversas que você já teve com alguma outra pessoa. Tudo o que você já criou então é jogado pelos ares como possíveis “provas” de que você está em um relacionamento secreto. Então por que continuar a compôr, produzir e cantar se tudo o que interessa ao público é sua vida pessoal, que NÃO deveria estar em pauta?

n

Um grande exemplo é Fifth Harmony, um grupo que passou quatro anos sem participar da produção criativa de nenhuma música já lançada, sem ninguém se incomodar. Porém quando saiu a notícia de que o contrato delas com a gravadora era extremamente rígido, impondo personalidades e dizendo o que elas deveriam ou não fazer, todos os fãs se revoltaram e apontaram que era óbvio um relacionamento escondido existir. Ou seja, o fato das artistas em questão não participarem da criação de suas próprias músicas não era nada de extraordinário que fosse motivo para uma revolta, mas a possibilidade de um casal, sim.

Ao criar teorias gigantescas nenhuma pessoa para pra pensar no impacto que isso pode causar na vida pessoal do artista, em como sua vida pode parecer fútil se tudo o que tem a oferecer é um provável casal que, em algumas vezes, pode envolver um amigo(a). Imagine não ser capaz de abraçar ou rir com seu melhor amigo ou melhor amiga em público pois todos ficariam alucinados afirmando com toda a certeza de que vocês não são apenas amigos. Então toda essa “exposição” é feita para ser uma forma de “ajuda” para o artista ter coragem de falar sobre o assunto abertamente ou apenas para você provar que estava certo(a)?

Casos em que situações parecidas, com casais escondidos e amedrontados pelo provável julgamento social provavelmente existem, mas não em todos os lugares. Muitas vezes é um pequeno marketing alimentado pelos próprios fãs que acreditam ter tamanha liberdade de expor fatos sem ao menos saber se são reais, e que, por mais que sejam, se está “escondido” é por escolha dos únicos que têm o direito de saber. É preciso mais reconhecimento do trabalho dos artistas, ao contrário de julgá-los por fofocas e teorias. Atitudes boas devem ser mais do que reconhecidas, porém antes delas é necessário o lembrete de que um artista é aquele que produz arte, e apenas sua arte é aquilo o que você deve consumir e propagar na internet.

  • Mirela Santos

    Sinceramente Anna, obrigado por esse texto maravilhoso!!Opinião baseada em argumentos que ao menos façam sentido, é raro.Ainda mais em assuntos como esse, onde todo mundo costuma opinar.

  • Ann

    Eu não sei se as pessoas estão olhando para o fandom de One Direction de maneira correta. Nós temos nosso “casal”. Mas olhamos para a música também. Promovemos suas canções, organizamos projetos para single. No Control é um grande exemplo. Depois Just Hold On. Estes começando a ser organizados pelas “garotas das teorias”. Também temos um monte de projetos de caridade em nome da banda. Temos conhecimento que a vida pessoal não vai ser de interesse para o GP, que só a música realmente importa. Por isso o esforço para organizar projetos e promover o quanto podemos suas músicas para o público casual da 1D.

    A maioria do público mais velho tem uma visão ampla sobre o que a indústria da música é e representa na vida de um artista.

    O fato de que as pessoas parecem esquecer de que a própria gravadora explora a vida pessoal de um artista é quase hilariante. A maioria dos adolescentes, principalmente, fãs jovens de boybands são fisgadas através da ampla divulgação da vida pessoal do seu ídolo, o que ele faz, o que ele gosta, de quem ele gosta, que tipo de pessoa o atraí. Por que a imagem boyband é vendida como “Olhe, ele pode ser um namorado perfeito” “Ele é um garoto normal apesar de tudo… talvez um dia vocês possam estar juntos” O fato de muitos relacionamentos usados para promoções ou apenas para dar visibilidade a um artista da mesma gravadora.

    Entretanto gravadoras oprimem seus artistas. Seus contratos oprimem a liberdade de se expressar como querem e agirem como quiseram. Isso se chama treinamento de mídia. Eu creio que para julgar se um relacionamento é marketing ou não é necessário saber o que isso traria como benefício e o que isso resultaria para a gravadora. Também há vastos exemplos de artistas que foram forçadamente ao armário e não por escolha, não é como se eles pudesse ir contra o que a gravadora deseja.

    Creio que o ponto foi perdido quando o assunto parece ter ganhado um foco principal na especulação da vida pessoal das “teorias de conspiração” e não sobre a especulação da vida pessoa de famosos no sentido geral.

    Acredito que deveria ampliar seu campo de estudo, mas como isso é um artigo de opinião e não informação, bem, que seja. A generalização não é apreciadA.

  • Bruna

    Interessante seu ponto de vista, de fato estamos em tempo de repensar “prioridades”…