Com “Chained To The Rhythm”, Katy Perry exerce o papel de artista colocando críticas políticas e sociais em sua música

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Levando em conta que vivemos em uma época péssima na política e sociedade mundial, onde a discriminação e o preconceito reinam, o que não falta são artistas se posicionando, querendo literalmente mudar o mundo. A importância das mensagens contra esses atos nas redes sociais por parte dos famosos é indiscutível, afinal ajuda a formar a opinião de pessoas. Mas infelizmente para alguns artistas, falar de forma correta não significa agir de forma correta.

Muitos artistas esquecem que seu principal papel na sociedade é criar a arte. Seja música, literatura, artes plásticas, filmes ou séries, a crítica de tais pessoas deveriam ser manifestadas através desses meios. É muito fácil digitar um tweet defendendo a importância da mulher e do homem como iguais, e na hora de criar uma música deixar com que seus empresários sexualizem ela. Fácil, porém errado. Sentimentos, pensamentos e principalmente críticas devem ser mostrados através da arte.

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Katy Perry conseguiu demonstrar todo o seu descontentamento com o governo americano no clipe de “Chained To The Rhythm“, parceria com Skip Marley. A cantora vive uma personagem em um mundo literalmente acorrentado pelo ritmo de suas vidas, onde o cenário está cheio de desigualdades, mentiras e preconceito, porém ninguém percebe. “Tão confortáveis, estamos vivendo em uma bolha” e “Tropeçando por aí como um zumbi perdido” são os versos que resumem a música, o clipe e por que não, os Estados Unidos.

A maioria das cenas do vídeo são completamente características, como as pessoas com seus tablets mais preocupadas com as redes sociais do que com o que está realmente acontecendo; Uma montanha russa com acentos definidos por sexo, e a “pontuação” da mulher sendo menor do que a do homem; Casais entrando em casas que são o “Sonho Americano”, e logo após elas despencando, seguradas por fios que levam a entender que são todas controladas; A roda onde todos devem dar o máximo de si porém sem sair do lugar; O brinquedo com bombas e mísseis mostrando como a guerra é levada como uma brincadeira; E principalmente a máquina com a frase “Não há lugar como sua casa” que envia pessoas para uma “viagem segura para casa”, simbolizando o muro que Donald Trump pretende construir para separar os EUA do México.

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Em um estilo muito similar ao da série “Black Mirror“, as críticas representadas na letra e no clipe de “Chained To The Rhythm” foram muito bem construídas, transformadas em algo artístico. Katy Perry, assim como o diretor Mathew Cullen e os produtores do clipe, conseguiu criar um trabalho visual maravilhoso, dando tudo de si para uma faixa que representa algo em que ela realmente acredita tanto quanto se empenharia para criar um novo hit qualquer.

A cantora se tornou um grande exemplo, mas dessa vez não apenas para seus fãs e admiradores, mas sim para os próprios músicos que por mais que acreditem em causas, não colocam isso diretamente em seu trabalho. Katy Perry exerceu seu papel principal como artista inserindo suas críticas em sua arte, e acreditando que sua música pode fazer alguma diferença.