Um Chá com Carina Rissi: A autora falou sobre o filme de “Perdida”, lançamento de “Prometida” e reagiu à playlist do site!

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Carina Rissi é sem dúvidas uma das maiores autoras brasileiras da atualidade. Durante a turnê de lançamento de seu último livro, “Prometida”, a escritora passou por Curitiba, onde o Chá das Onze conseguiu a imensa oportunidade de conversar com ela. E como começar essa entrevista se não falando sobre o imenso sucesso, não só nacional, mas também estrangeiro?

Seus livros já atravessaram o oceano e chegaram até Portugal, além disso vi em seu site que Itália, Rússia e Ucrânia estão na lista do “em breve”. A sensação de ver isso acontecendo é parecida com uma história de amor impossível que tanto te fascina?
Olha, eu não tinha pensado dessa maneira, mas acho que sim! Quando eu publiquei ainda independente, eu queria atingir mil leitores, e hoje estou chegando em outros países. É muito surreal ainda! Eu recebo recado de meninas de Portugal, e achei incrível isso. É lá do outro lado! Eu sonhei tão menor. Estou tão feliz. É muito mais do que eu sonhei, é um sonho muito maior do que eu poderia ter ousado sonhar. 

Além dos países da lista, me diga um país que sonha ver seus livros sendo lidos.
Acho que seria Inglaterra, porque é de onde vem minha escritora favorita: Jane Austen. Seria um sonho poder publicar no país dela, na língua dela.

Você participou da criação do livro de contos “O Livro dos Vilões”, com mais três autores. Se você pudesse escolher outros três que você admira para criar e escrever uma história nova, quais seriam? (Internacionais, nacionais, de qualquer época).
Ai meu Deus! Seria a Jane Austen, porque não sou besta! Seria Machado, porque ele tem um senso de humor maravilhoso. E seria… Acho que a Paula Pimenta!

Na série “Perdida”, você ignorou a escravidão no Brasil pelo fato de ser algo vergonhoso para a história do país. Se a história de Sofia fosse escrita daqui a 200 anos, e ela voltasse para 2016, qual fato atual do Brasil você tiraria da história?
Eu acho que tanta intolerância, sabe? Com tudo. Parece que quanto mais nós avançamos mais intolerante a sociedade está. Com tudo, com religião, sexualidade… Acho que seria isso. Se eu pudesse eu riscaria agora, já.

Para quem é fã da série “Perdida”, já deve saber: O primeiro livro irá virar filme! Carina está cuidando pessoalmente do roteiro – uma garantia de que a história ficará perfeita nas telonas do cinema. A autora contou com muita felicidade e orgulho aparente as diferenças entre a escrita do livro e do roteiro.

Sobre o filme de “Perdida”, você está escrevendo o roteiro, certo? Qual é a sensação de reescrever a história de Sofia em forma de roteiro? É muito diferente?
Sim. Primeiro porque é uma pegada diferente. No cinema você pensa em câmera. No livro o meu recurso, a minha ferramenta, são as palavras e no filme é a câmera. Então enquanto eu escrevia o pessoal falava sempre: “A câmera lê a emoção do ator, e não o roteiro”. Então essa transição foi bem, não exatamente difícil, mas eu tive que repensar minha maneira de escrever. Reescrever uma história que você gosta, no caso eu gosto muito da história da Sofia, é sempre muito divertido, um prazer. Então fiz cenas novas, pareceu a primeira vez. Foi muito, muito legal.

Carina – assim como eu – é uma grande fã de OneRepublic – banda que a inspira na criação de seus livros – mais uma vez, assim como eu -, e não consegui perder a oportunidade de encaixá-los em uma pergunta.

Ainda sobre o filme: se você pudesse escolher uma banda/cantor para estar na trilha sonora, qual seria? (E por que OneRepublic?)
[Risos] É, a banda. E seria porque… Eu não sei… Eles me acompanham desde a primeira letra. Eles estavam comigo, sabe, o tempo todo. Então eu acho que eles fazem parte do meu trabalho. A música deles é um complemento mesmo, sem isso eu não consigo. Desde a primeira vez, desde que eu sentei e falei “Agora é sério, vou fazer um livro”, é sempre com uma música de fundo. Eu uso, óbvio, outras bandas, cantores e cantoras, mas esses são os favoritos. Sempre tem aquela música que eu falo “Hmm… Essa vai encaixar direitinho”.

Música é algo muito presente no Chá das Onze, assim como na vida de Carina. Já que o assunto é algo em comum, por que não apresentar alguns artistas que marcam presença no site para a autora? Resolvi levar três trechinhos de algumas faixas que muito me agradam e estão presentes em minha playlist pessoal para a autora reagir a elas:

A primeira foi “Superheroes”, da banda The Script. Carina, que já conhecia, concordou comigo que é uma banda “bem OneRepublic”. Ao ouvir, ela afirmou que música, para ela, é simplesmente tudo! Sua nota para a música foi 10.

Obviamente que a banda The Vamps não poderia faltar na minha lista de recomendação. “Wake Up” foi a segunda música, e a autora não apenas conhece os meninos mas como também já colocou a faixa como despertador do celular em um dia que tinha que viajar – para não perder o voo. E claro, a nota foi 10.

Por último, foi a vez de “Wild Things”, da canadense Alessia Cara. A cantora sempre passa mensagens incríveis através de suas músicas, e Carina também já a conhecia. Mais uma vez, a nota foi 10.

Seria impossível conversar com Carina Rissi sem pedir por um conselho quanto à publicação de livros, já que ela começou de forma independente. Então fiz isso, em nome de todos os autores, ainda sem editora.

Quanto aos seus fãs, muitos deles já são ou pretendem ser escritores, e te observam como um exemplo.

Isso é muito doido.

A maioria pede um conselho para quem quer começar, mas eu pergunto: Qual seu conselho para quem já deu o primeiro passo, já escreveu o livro e quer ingressar no mercado editorial?
Então seria… Caramba, acho que é realmente correr atrás em todos os sentidos, sabe? Buscando uma editora, e se isso não der certo, investir em você. Quando eu comecei eu pensava muito nisso, eu investi bastante dinheiro, não só na publicação mas em divulgação mesmo, fazendo um trabalho que a gente não tinha nem ideia de que era “marketing”. Porque eu pensava assim: se eu não investir então ninguém terá coragem de investir. Então se eu estou colocando meu dinheiro, estou gastando, estou acreditando que a editora ou um outro meio vai acreditar que vai dar certo. Então eu insisti bastante nisso, gastei tudo gente, muito, o que tinha e o que não tinha pra fazer isso funcionar e deu certo, não me arrependo de nada!

E finalmente, sobre o lançamento: “Prometida”. Por mais que seja no mesmo universo de “Perdida”, existiram dificuldades para escrever?
A Elisa… Não. Assim, não, mais ou menos… Mentira. Deixa eu explicar: Para que eu pudesse compreender a Elisa, eu escrevi desde “Perdida”. Eu fiz Perdida, eu fiz Encontrada, eu fiz Destinado, para então fazer o livro dela, na perspectiva dela. Esse livro foi o que eu mais tive que cortar porque óbvio, não teria a menor graça você rever tudo, mas eu precisava entender, estar dentro dela para entender tudo o que ela passou porque a Sofia via algumas coisas mas não via tudo. Então as melhores cenas a gente acaba colocando ali, mas… A Elisa foi tipo… É uma série que já está em andamento, é um universo que eu conheço tão bem, mas a Elisa ela é diferente, ela vem com uma brisa nova, um entardecer diferente e colorido. Eu não me divertia fazia muito tempo como nesse livro. Eu sempre me sinto muito pressionada na série “Perdida”, pelo Ian e pela Sofia. E nela eu tive um pouco mais de liberdade, sabe? Eu senti que os leitores confiaram que eu iria fazer um bom trabalho e me senti mais livre para contar a história que ela queria contar.

O Chá das Onze não podia deixar de levar algumas perguntas dos fãs da Carina para ela. Três foram selecionadas, entre elas duas revelações exclusivas: O futuro da série “Perdida” e “No Mundo da Luna”!

Emanuely Vitoria, Pollyana e Francisca Moraes perguntaram sobre uma possível continuação de “Perdida” após “Prometida”. Isso irá acontecer? Já é possível dizer quantos livros a série terá?
Serão seis livros. O próximo é da Valentina, e o último… Está bem bolado. Está bem enroladinho o último, não sei quem eu colocarei narrando, mas acho que será a Sofia, tem que fechar com ela né?

Isabela Martins perguntou qual foi sua inspiração para escrever “Procura-se um marido”?
O Procura-se Um Marido foi uma coisa muito doida… Os meus livros sempre nascem dos perrengues que eu passo no meu dia a dia. Eu sempre digo que queria ser aquele escritor que diz “Eu estava em um café em Paris, às margens do Cena…”, mas não, eu estava em casa, naquele dia eu tinha evento, a filha tinha prova na escola, o marido estava todo enrolado com o trabalho, a Maria que é o anjinho que me ajuda lá em casa não tinha aparecido naquele dia. Eu tinha um bobs enorme no cabelo, acabado de fazer a unha e não queria borrar, a pia não tinha um copo limpo e eu estava com sede e eu fui xingando porque a minha lava louça tinha quebrado naquele dia. Sabe quando tudo deu errado? Tudo deu errado. E aí eu fui xingando e falando “Poxa vida, no dia que eu ficar rica não vou mais pisar nessa cozinha”. Porque eu odeio cozinha! Odeio lavar louça, tudo relacionado a cozinha! A única parte que interessa ali é a geladeira que você só abre, pega, fecha e acabou. E enquanto eu estava xingando eu falei “Gente, mas espera. Eu já estou acostumada com esses perrengues a gente passa a vida toda, mas imagina alguém muito, muito rica, que nunca pisou na cozinha como a Alicia, e se ela ficasse pobre? E tivesse que pegar ônibus? E viver a vida que a gente vive, e é tão comum, como seria? Então foi daí que veio a Alicia. Eu fui pra esse evento e voltei pra casa correndo e comecei a escrever. A Alicia me atropelou, foi o livro que eu escrevi mais rápido, em três meses eu já estava com ele completinho, com o corpo inteirinho pronto.

Paty Gene e Andresa Alves querem saber se você pretende fazer um segundo livro de Luna e Dante em “No Mundo da Luna”. Tem previsão de lançamento?
A previsão é mais a Verus, eles que resolvem o cronograma, mas eu já assinei pra sequência sim. A Luna ficou calada por um tempo, ela só me contava umas coisinhas assim bem esporádicas, e era só pra mim, nada suficiente para um livro, mas ela voltou a falar, a falar mesmo, tipo atropelando. Então quando ela começa a falar, tem que ouvir né?!

Para finalizar de um modo bem, de acordo com a escritora, injusto, uma pergunta que realmente merece essa palavra.

De todos os seus livros, qual foi o mais gratificante para você?
Nossa que pergunta injusta! Porque todos eles tem uma historinha, tem uma importância, uma dificuldade ou pra publicar ou a história em si… Não vou saber dizer. Cada um deles mexe comigo de um jeito diferente. Cada um é especial de sua maneira…

Juntando um pedacinho de cada um vira um só gratificante.

Exato. É sempre… Quando você termina um livro, eu não sei como é pra você, mas eu sei quando eu terminei um livro, depois de tantas revisões eu sei quando ele está pronto, sempre me emociona, eu sempre choro, porque é diferente depois na parte editorial, quando entra a parte editorial de diagramação, correção, é diferente, já não é mais a minha, tem mais mãos ali trabalhando no livro. Então a história não é mais só minha. Aquela despedida, é meio triste, maravilhoso, tudo junto. Então não dá para dizer um só.


Além da entrevista incrível com Carina Rissi, a autora autografou um exemplar de “Prometida” exclusivamente para o Chá das Onze. A promoção que terá como prêmio o livro, irá acontecer no Instagram oficial do site. Clique aqui para ler o regulamento e boa sorte!