“Animais Fantásticos e Onde Habitam” prova que não é fantástico apenas no título, mas sim como um todo

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Começar uma crítica sobre o renascimento de uma lenda que fez parte de minha geração não é fácil, ainda mais quando a lenda em questão é o universo mágico de Harry Potter. Felizmente, e por que não, obviamente, a parte difícil é encontrar palavras para descrever o quão incrível foi “Animais Fantásticos e Onde Habitam“, que sem dúvidas provou que a palavra “Fantásticos” não se atribui apenas aos animais, mas sim ao filme como um todo.

Logo nos primeiros minutos de filme, o telespectador é completamente imergido pela magia já conhecida em Harry Potter, porém com um modo mais atual de se produzir e editar. Os famosos jornais bruxos, com fotos que se mexem e títulos que mudam, criam uma introdução ao tema da história de uma forma excepcional, sem deixar a plateia confusa ou perdida – o que muitas vezes acontece em introduções. Além de dar um pequeno rumo à trama, o modo como é feito faz com que os fãs retornem àquilo que já estão acostumados.

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Newt Scamander, é um personagem muito bem construído e possui alguns elementos característicos marcantes e brilhantes. Além das expressões, que por sinal foram maravilhosas, a maleta que guarda os animais é um desses elementos, se tornando praticamente um personagem da trama. Ela é completamente envolta de mistérios e com certeza promove a curiosidade a quem está assistindo, assim como a todos os personagens ao seu redor. Uma das partes mais brilhantes do filme foi sem dúvidas a exploração da maleta do lado de dentro, possibilitando ao telespectador a entrada nessa extensão do mundo mágico, e digo: é algo que nunca foi visto antes. Os cenários, a trilha e a atuação de Eddie se misturam com o grande centro das atenções, e é literalmente como se você estivesse sendo convidado a conhecer a casa (pode-se chamar assim) de um novo amigo.

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A atuação de Eddie Redmayne como Newt Scamander possibilitou com que o pesquisador que estuda os fantásticos animais se tornasse tão fantástico quanto eles. Um personagem completamente novo, sem descrição precisa e aprofundada em livros, foi criado na tela do cinema. Eddie apresentou Newt à audiência de uma forma simples, sem criar expectativas, e deixando uma imensa vontade de conhecer mais sobre o viajante da maleta, seu passado que envolve personagens – e referências – já conhecidas, e principalmente, sobre seu futuro. Mesmo sem uma pré descrição de Newt, não consigo imaginar outra pessoa para esse papel que foi criado com tanta liberdade (ainda bem) por Eddie. Newt é encantador, além de ser um personagem principal diferente de todos os outros. A relação estabelecida entre ele e suas criaturas, que possuem identidades próprias e são mais do que simples figurantes no texto, é maravilhosa e retratada como um carinho absolutamente verdadeiro das duas partes. Mesmo com várias reviravoltas no enredo envolvendo diretamente o protagonista, ele nunca perde seu objetivo que é, resumidamente e sem spoilers: Estabelecer o bem estar de seus animais.

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A novidade maravilhosa de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” é a diferenciação da cultura mágica entre continentes, assim como em culturas “normais”: Aplicações de leis, pensamentos divergentes, entre outros. Algumas expressões são citadas, e referências da tão conhecida e amada Hogwarts são feitas. E claro, a escola de magia e bruxaria dos Estados Unidos é mencionada. Essa fusão se junta com o mundo dos trouxas (ou dos não-mágicos), levando um deles a ser um dos personagens de destaque: JacobDan Fogler interpreta aquela famosa pessoa que está no lugar errado, na hora errada. Ou seria uma hora certa, em um lugar certo? Jacob acrescenta um tom de humor característico de seu personagem na trama, o que o torna brilhante e indispensável.

O elenco inteiro é excepcional, contando com Katherine Waterston (Goldstein) e Colin Farrell (Graves), suas atuações foram perfeitas e sem furos. Foi como se cada ator/atriz fosse preparado exatamente para tal papel. Porém, é preciso ressaltar o trabalho (e aqui está a palavra novamente) fantástico de Ezra Miller, que incorporou seu papel de tal forma que intrigou o público desde sua primeira e breve aparição, deixando muita curiosidade sobre Credence, sem deixar pistas sobre a vida do personagem, e fazendo ele crescer a cada cena.

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A famosa música tema de Harry Potter estava presente, porém com um toque a mais de Animais Fantásticos, mas o fator mais importante para levar as emoções dos personagens (que foram muitas) para o público foi a trilha sonora original do filme, que estava impecável e encaixada perfeitamente nas cenas. Os (muitos) efeitos foram grandiosos e transformaram a criação em uma grande produção. Eles possibilitaram a entrada da audiência ao cenário, sendo possível observar, voar e ouvir como algumas das criaturas, e foi aí onde me envolvi completamente na trama. É sem dúvidas um filme para ser visto em formato 3D.

O vilão, ou o mistério de quem ele é, envolve o enredo. Sim, existe um grande “ícone do mal” que está além da história, se encaixando nos próximos roteiros: Grindewald. Porém, o filme ressalta mais do que um grande vilão, sendo criados personagens de má índole que podem não ser a grande mente por trás de tudo, mas que são pontos importantes na trama.

Obviamente, é impossível não comentar o trabalho impecável que J.K. Rowling fez no roteiro de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”. A autora conseguiu criar uma história diferenciada, com diálogos que se encaixam perfeitamente, sem perder o foco central de cada um dos personagens. Seu trabalho combinou, mais uma vez, perfeitamente com o diretor David Yates, que montou as cenas em uma sequência ótima que mesmo após duas horas de filme eu não me importaria de ver mais um pouco.

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A conclusão que pode-se tirar do filme é: Além de ser impecável tecnicamente, possuindo um elenco com interpretações incríveis, um roteiro completamente encaixado e sem falhas aparentes, nenhuma crítica será o suficiente para descrever o quanto ele foi especial. Não somente aos fãs de Harry Potter, mas a uma nova geração que irá poder crescer acompanhando o mesmo mundo mágico, que logo no primeiro dos cinco filmes já passa as conhecidas e lindas mensagens que Rowling está acostumada a passar. “Animais Fantásticos e Onde Habitam” não é um filme para ser visto, é um filme para ser apreciado e, acima de tudo, vivido. E acredite, os efeitos possibilitam isso.

Provando que não é “Fantástico” apenas no título, a obra cinematográfica com certeza irá inspirar muitas salas de cinema e marcar uma nova era enquanto reforça que é muito, mas muito mais do que um spin-off da saga anterior.