“Scars To Your Beautiful”, de Alessia Cara, é a mensagem que todos querem mas ninguém se esforça para receber

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Com seu primeiro álbum de estúdio lançado em 2015, Alessia Cara já se mostra com uma identidade muito forte, simples e maravilhosa. Há quase um ano, “Know-It-All” foi lançado, e infelizmente conheci o disco e a cantora apenas ontem. Já havia escutado “Wild“, parceria de Troye Sivan com Alessia, mas nunca me aprofundei em seu trabalho – o que deveria ter feito há muito tempo. Ao clicar no link do clipe que apareceu no YouTube, não me surpreendi com os poucos nove milhões de visualizações, afinal a cantora não é tão conhecida atualmente, mas após assistir o vídeo algumas (oito) vezes, me perguntei: Por que SÓ nove milhões? 

Scars To Your Beautiful” é o terceiro single do álbum de Alessia, e arrisco dizer que já é minha música favorita do disco. A faixa passa uma mensagem honesta sobre algo que todos estão comentando atualmente: a aceitação própria. Inclusive, no final do vídeo, aparece uma citação para reforçar tudo o que já foi dito na música:

“Algumas vezes, o mundo diretamente e indiretamente nos diz que não devemos ser felizes com nós mesmos se não nos encaixarmos em um certo padrão de beleza. Scars To Your Beautiful é um lembrete de que a beleza não é apenas um modo, forma, tamanho, ou cor. Não é nem mesmo perceptível. Ela vem em uma infinidade de formas e precisamos reconhecer isso.”

De certa forma, isso é o que todos buscam, aceitação. Realmente, padrões de beleza não devem ser propagados quando vivemos em um mundo com uma diversidade cultural tão grande. A faixa é mais do que um lembrete de que todos podemos ser, e somos, bonitos, e que nossas “falhas” são o que nos tornam especiais. Além da música, o clipe é completamente simples, e focado em depoimentos de pessoas comuns, onde dão uma aula de como fazer o mundo um lugar melhor, apenas se aceitando como são. Em 2016, isso é o que mais ouvimos e vemos, movimentos que procuram dizer que todos somos iguais, e esse assunto é muito presente principalmente nos jovens que consomem a cultura musical em geral.  Mas voltando à pergunta inicial: Por que um vídeo tão bem feito, com depoimentos e mensagens de superação, encaixado com uma música que por si só já é um exemplo do que pensar, além de ser muito bem cantada por uma pessoa tão talentosa como Alessia – que também escreveu a faixa – possui apenas 9 milhões de visualizações após quatro meses de seu lançamento?

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Essa é a questão: As pessoas (estou me referindo às que consomem cultura musical) procuram por igualdade, afirmam que a mensagem deve ser passada, mas no momento de escolher algo para ser fã, apoiar, comprar, ir no show, escolhem coisas fúteis. “Scars To Your Beautiful” é apenas um exemplo disso. Muitos outros artistas que possuem músicas que realmente foram escritas por eles e realmente querem dizer algo são esquecidos em uma janela do Spotify que muitas vezes nem é aberta. O mundo está consumindo imagens, e não cultura. Desde quando a música, a letra e a produção foi substituída por um nome criado por uma gravadora?

O público insiste em ignorar o talento verdadeiro, que consiste na construção do artista enquanto sente, escreve, produz, canta e performa suas músicas, e substituir isso tudo com prêmios, charts e hits que não têm nada a dizer além de “Você não precisa ir trabalhar, trabalhar, trabalhar, trabalhar; Deixe meu corpo fazer o trabalho, trabalho, trabalho, trabalho” ou então “Me veja whip, me veja nae nae; Me veja whip whip, me veja nae nae“. Obviamente, precisamos de hits, pois eles divertem, possuem ótimas produções, mas tenho certeza de que um pequeno espaço pode ser cedido por álbuns que são inteiros de músicas assim, sem ao menos serem escritas pelos próprios, intitulados, artistas.

Devemos começar a consumir aquilo que acreditamos, com isso iremos incentivar os artistas que realmente são completos a continuarem passando as mensagens que desejam, e que, assim como “Scars To My Beautiful”, precisam ser passadas.